Bueiro solto provoca acidente

Mulher caiu em buraco, fraturou costela e teve corte na perna; ela pretende processar a Copasa

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Vítima. Depois de trincar uma costela e cortar a perna em queda, pesquisadora Sônia Nilo quer ingressar com ação judicial contra Copasa
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Vítima. Depois de trincar uma costela e cortar a perna em queda, pesquisadora Sônia Nilo quer ingressar com ação judicial contra Copasa

“Foram segundos de pavor. Dá um desespero pensar que eu poderia ter ido embora”. Ainda assustada, a pesquisadora Sônia Maria Nilo Abranches, 63, relatou o momento do acidente que sofreu quando atravessava, no dia 24 de abril, na faixa de pedestres, o cruzamento da rua Tamoios com avenida Afonso Pena, no centro da capital. Sem perceber, ela pisou na tampa solta de um bueiro, e só não foi totalmente sugada para dentro da rede de esgoto porque conseguiu se segurar com as mãos. Apesar do esforço, Sônia ficou submersa até a altura dos seios, fraturou uma costela e precisou dar cinco pontos em um corte profundo na perna direita. Revoltada, ela pretende entrar na Justiça contra a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), responsável pelo equipamento.

“Tinha caído uma chuva forte pouco tempo antes, e não vi a tampa no chão. Quando pisei ela levantou e caí lá dentro”, conta Sônia. “Tive um reflexo violento e consegui me segurar, mas, se fosse uma criança, com certeza teria morrido”.

Pouco mais de uma semana após o acidente, Sônia ainda sofre com as dores na costela e a falta de ar. Os hematomas nas pernas continuam grandes, e a pesquisadora, autônoma, teve que ficar de repouso, sem trabalhar, em função da trinca na costela. “Não tem indenização que pague a raiva e o nervosismo que passei, mas que isso sirva pelo menos para alertar outras pessoas de que esses bueiros, que têm na cidade toda, não têm segurança nenhuma”, reclamou.

A estudante Gabriela Carraro, 18, presenciou a cena e afirmou que casos como o de Sônia são comuns. “Já vi acontecer mais de uma vez. Há alguns meses, eu estava perto do pirulito da praça Sete quando uma colega deficiente, que tem dificuldade de locomoção, caiu em um bueiro. Conseguimos tirá-la na hora, mas ela podia ter se machucado”, disse.

Somente na travessia onde Sônia se acidentou, há outras quatro caixas de passagem de redes diversas. Na esquina mais próxima, em frente à Igreja São José, pelo menos oito equipamentos semelhantes se espalham pela calçada.

Outro lado. Questionada, a Prefeitura de Belo Horizonte informou, por meio da regional Centro-Sul, que técnicos da área de manutenção vistoriam, rotineiramente, as caixas de passagem e bueiros existentes na região, para identificar situações problemáticas e tomar as providências necessárias.

Saiba mais

Fiscalização. Um total de 5.717 vistorias em calçadas da capital foram feitas pela Secretaria Municipal Adjunta de Fiscalização entre janeiro e março deste ano. No mesmo período de 2013, foram 5.625 ações.

Resultados. Foram, ao todo, 2.890 proprietários de imóveis notificados por irregularidades no passeio no primeiro trimestre de 2014, sendo 562 deles multados. Entre janeiro e março de 2013, foram 2.243 notificações e 621 multas.

Penalidades. Quem não regularizar problemas nas calçadas e em tampas de caixas de passagem pode pagar multa de R$ 504,88.

Fiscalização

Correção. Uma equipe de vistoria da prefeitura afirmou que foi até a rua Tamoios na última quarta-feira e tampou uma caixa de passagem descoberta a poucos metros do local do acidente.

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