“Há, claramente, uma inépcia administrativa” no Estado

Fernando Pimentel - Ex-ministro e ex-prefeito de BH pré-candidato ao governo de Minas pelo PT

iG Minas Gerais |

“Não foi falta de recursos. Foi falta capacidade administrativa”
douglas magno
“Não foi falta de recursos. Foi falta capacidade administrativa”

O petista, em entrevista exclusiva para O TEMPO, faz críticas à capacidade administrativa da gestão do PSDB e ressalta que o voto dos mineiros não tem dono. Ele garante que, ouvindo a população nas caravanas, terá o melhor programa que o Estado já viu

O senhor está viajando o Estado com as Caravanas da Participação. Qual é o objetivo? A ideia é percorrer o Estado, as cidades mais importantes, ouvindo as pessoas. Simples assim. O que elas querem, as demandas, as reivindicações, os sonhos, as esperanças, enfim, aquilo que constitui o cerne de um futuro programa de governo. A ideia é que nós continuemos assim até o início de julho, quando começa efetivamente a campanha eleitoral. Aí, nós vamos ter condições de apresentar para Minas um belo programa de governo. Eu diria até que será o melhor programa de governo que Minas já viu, porque ele não será o nosso programa de governo, e sim o programa de governo dos mineiros e das mineiras. Agora, de fato, já dá para antecipar algumas coisas. Por exemplo, segurança é um problema grave hoje em Minas, muito grave. Em seguida, saúde também é uma demanda importante. São duas demandas, mas poderia falar mais. Só pra encerrar, há uma queixa também na educação.

Mas, por um outro lado, o PSDB diz que o governo federal tem esquecido Minas Gerais e que recursos não são liberados. São reclamações históricas: metrô, duplicação da BR–381 e uma série de outras obras. Primeiro, é uma falácia essa história de que o governo federal não contemplou Minas Gerais, não cuidou de Minas. E eu te diria mais: a população não acha isso, não. Pelo menos até onde eu fui, não escuto isso. Porque as pessoas veem as iniciativas federais e não veem as iniciativas estaduais. Vamos falar de recursos. Você mencionou duas ou três obras. Vamos pensar nesse caso: o metrô de Belo Horizonte. Qual é o problema do metrô? Os recursos existem, estão no orçamento da União, disponibilizados pra Minas Gerais. Quem tem que cuidar da questão do metrô é o Estado. Como é que o Estado organizou a questão? Ele criou uma empresa, chamada Metrominas, em que ele é majoritário, e de minoritário tem a Prefeitura de Belo Horizonte e, mais minoritariamente ainda, a Prefeitura de Contagem. Então, é o Estado que controla a Metrominas, e é a Metrominas que vai controlar as obras do metrô, receber os recursos, fazer o metrô ou fazer licitação para concessioná-lo. A Metrominas não apresentou até hoje um projeto para o governo federal. Não tem projeto de engenharia – portanto, não tem nem o cálculo. O dinheiro que está disponível está lá, mas é uma estimativa, porque até hoje o projeto não foi feito. No caso do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, é pior ainda, e eu fui testemunha. A última intervenção quem fez fui eu ainda, como prefeito. Consegui recursos, o governo federal delegou a obra e eu fiz uma intervenção de emergência. Recapeamos, refizemos a sinalização, mas isso já tem mais de dez anos, de lá pra cá nada mais foi feito. Pois bem, logo no começo do governo da presidente Dilma, ela transferiu a obra do Anel para o governo estadual, para o governador Anastasia. Ela entregou a obra com os recursos equivalentes. Você pega os recursos, licita, contrata, e a União paga. Isso já tem três anos. Isso até hoje não foi feito. Por quê? Porque não tem projeto. O governo não fez projeto. Agora parece que licitaram um, mas isso, três anos depois. Então há, claramente, uma inépcia administrativa no tocante dessas obras. Ela é a responsável pelo atraso, não é a falta de recursos. Na obra da BR–381, iniciativa do governo federal, foi licitada, vai ser concessionada, e as obras vão começar agora, já nesse primeiro semestre. As outras também, a BR–040 foi concessionada. Ou seja, o governo federal está se esforçando, está fazendo a parte dele. Não foi falta de recursos, foi falta de interesse, capacidade administrativa para oferecer os projetos necessários.

Falando em política, o PMDB de Minas parece que decidiu bater o martelo e vai apoiar o PT. Agora, e os outros partidos que são da base aliada do governo Dilma e que em Minas Gerais são também da base do governo do Estado? Não, a conversa com o PMDB está muito boa. Tivemos a notícia excelente de que o PMDB fechou a questão entre eles e vai apoiar a aliança com o PT. O PMDB está conosco na chapa. O que não seria nenhuma surpresa. A nossa aliança inicial tem, então, o PMDB, o PROS, o PRB. Acho que temos uma boa conversa com o PCdoB. Mas eu diria que há uma grande simpatia, um grande interesse desse partido em vir para aliança. Então é isso. Nós vamos agora explorar isso que você chamou de base dupla. Isto é, apoia o governo estadual e apoia o plano federal. Na verdade, o caso mais exemplar é o do próprio governador Alberto Pinto Coelho, que é do PP e que vai apoiar a reeleição da presidente Dilma no governo federal.

Entre esses partidos está o PSB. O PSB foi um partido aliado histórico do PT. Teve o apoio do senhor e do então governador Aécio Neves para eleger o prefeito Marcio Lacerda. E agora?

A questão do PSB é uma questão delicada, primeiro porque de fato foi nosso aliado histórico por muito tempo e tinha em seus quadros um grande amigo, um grande inspirador nosso do PT, que depois veio para o PT conosco, que era o nosso ex-prefeito Célio de Castro. Mas é bom também que a gente não esqueça lacunas dessa história. Na minha primeira eleição de prefeito, eu enfrentei o então deputado estadual João Leite pelo PSB. Então houve aí algumas lacunas, mas, de toda maneira, é um partido que a gente respeita muito. Eu tenho grandes amigos no PSB e mesmo o governador Eduardo Campos, que agora é pré-candidato a presidente da República, é um aliado nosso histórico. Hoje ele está em outra plataforma, mas eu jamais consideraria o governador Eduardo Campos um adversário histórico. Ele não é. Nós temos que ter cautela com o PSB, mas eu acho que o que deve prevalecer é o respeito pela decisão que os nossos colegas do PSB vão tomar. Eles tem um imbróglio, que é a candidatura nacional do Eduardo Campos. Eles têm que suportar a candidatura dele com algum palanque em Minas Gerais. Eu acho que eles vão ter que ter candidato aqui.

E a chapa? Quem vai ser o vice, quem vai ser candidato a senador?

Na chapa, está definido que o vice seria do PMDB. Circula o nome do ex-ministro Antônio Andrade, deputado federal, nosso amigo e presidente do partido. Mas eu não sei se vai ser ele. Quem vai decidir vai ser o próprio PMDB. Eles têm toda autonomia pra indicar. Para o Senado, nós vamos discutir ainda com os partidos aliados, mas há uma propensão grande de vir um companheiro do PMDB. Fala-se muito no nosso querido amigo, filho do José Alencar, Josué Gomes da Silva. Seria um excelente nome, uma contribuição extraordinária para a nossa chapa. Mas eu também não posso antecipar, porque aí eu acho que a gente tem que ouvir todos os partidos, os interesses, as pretensões de todos.

Vou fazer uma provocação agora. Na entrevista com o candidato do PSDB, o ex-ministro Pimenta da Veiga falou que vai ganhar a eleição com 4 milhões de votos de frente. O que o senhor responde?

Eu não tenho a pretensão. Eu acho que o voto, em Minas Gerais, é dos mineiros. Minas não tem dono, não tem imperador. Nós somos um Estado libertário, é a nossa tradição. Essa história de dizer que “o projeto de Minas é o meu projeto”, detratar “os votos de Minas” como se fossem nossos, eu acho isso arrogante. Eu, particularmente, tenho uma certa cautela com essa coisa. Os mineiros vão votar, vão escolher o melhor candidato pra Minas e o melhor candidato para o Brasil. Eu sempre vou respeitar a decisão deles. Os mineiros vão dizer. E seria bom que o lado de lá pensasse nisso.

Está crescendo o movimento “Volta, Lula”. Há essa possibilidade?

Essa ideia de “Volta, Lula”, eu vejo como uma grande homenagem, um grande reconhecimento ao ex-presidente Lula. Mas do ponto de vista político, prático, eu não vejo muita viabilidade.

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