Há vagas para estadistas

iG Minas Gerais |

O governo e os anunciados candidatos a Presidência da República, Aécio Neves e Eduardo Campos, falam em línguas diferentes sobre o combate à inflação, como que se esse fosse o único objetivo do projeto econômico de que o país carece. Para o governo Dilma, o combate à inflação desenha-se como batalha perdida. Sempre fixado no cumprimento da meta inflacionária, o ministro Guido Mantega transita sem sucesso entre a escamoteação dos índices oficiais, não se importando que tal obsessão comprometesse a isenção até então valorizada do trabalho do IBGE, e a realidade dos números. Guido Mantega tenta ainda monitorar as ações do Banco Central, a torneira dos juros, a concessão de desonerações fiscais e a majoração de salários e vencimentos dos servidores públicos. O que não consegue Guido Mantega é frear a candidata Dilma Rousseff e seu projeto eleitoral, que precisa ser estimulado pela generosidade de suas medidas. Bondades não faltam para acelerar a distribuição de dotações parlamentares, para remunerar a ampliação da folha de pagamentos, para abrir concursos públicos, para financiar o oferecimento de energia elétrica e combustíveis, ainda que tais ações custem a desidratação do patrimônio da Petrobrás, do BNDES e da Eletrobrás. Sobram ainda recursos para custear obras sem qualquer prioridade, para comprar a consciência popular e pior, para permitir a corrupção escandalosa, sem controle e impune, em índices nunca vistos na história desse país. No Brasil de hoje há corrupção em tudo e em todos os segmentos do Estado. Nada escapa e se a fraude não está na ação, está na omissão de agentes públicos, de políticos e empresários. Justiça seja feita, Dilma nada inventou. Infelizmente, no Brasil, há muito e continua sendo assim que se ganham as eleições e esse foi o jogo jogado por José Sarney, por Itamar Franco, por Fernando Henrique Cardoso, por Lula, esses últimos especialmente para financiar seus projetos de reeleição. Quase sempre a fraude vem da ação, do propósito, da manifesta intenção. Outras vezes da omissão, mas tudo vale para consumarem-se nossas falências. Os atuais candidatos à Presidência, Dilma Rousseff, Eduardo Campos e Aécio Neves, embora concordem entre eles que a inflação seja o mal que nos aflija de forma mais próxima e contundente, não apresentaram, ainda, qualquer proposta para seu controle nem tampouco de uma contrapartida à sociedade envolvida pelos favores que a alimentam. “Vamos combater a inflação”, é o discurso em alto e bom som desses candidatos, sem contudo dizerem como e a quem as mesmas vão custar renúncias, sacrifícios, responsabilidades, que os projetos eleitorais camuflam por serem medidas impopulares. Que alternativas terá a sociedade, já tão onerada e última na linha de quem paga as contas, para se engajar nesse projeto de reconstrução sobre o qual é unânime a consciência nacional, desejosa de mudanças? Aumento da produtividade, redução da carga tributária e a tão desejada agenda de reformas da qual o Brasil tanto carece e não pode ser mais adiada: quem a proporá, com coragem para enfrentar a resposta das urnas?

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