I Semana do Cravo torna o erudito popular

Em iniciativa inédita da UFMG, evento terá aulas, palestras e concertos gratuitos ao público

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Palestras. O músico Edmundo Hora é um dos palestrantes e principais cravistas brasileiros ativos
ufmg/divulgação
Palestras. O músico Edmundo Hora é um dos palestrantes e principais cravistas brasileiros ativos

Associado comumente à música erudita, engana-se quem pensa que o cravo é um instrumento usado apenas em climas fúnebres de requintadas igrejas do século XVII. Para provar a contemporaneidade de um som com mais de 700 anos de história, a Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realiza a I Semana do Cravo, entre hoje sexta-feira. Na programação, simpósios sobre a história e a versatilidade do instrumento, aulas e concertos abertos ao público.

A iniciativa de apresentar o cravo ao grande público é do professor de composição e cravista Eduardo de Carvalho Ribeiro. Para ele, o instrumento tem voltado à tona nas últimas décadas, principalmente pela busca na música contemporânea por uma sonoridade mais completa e original. “É um instrumento que com a mesma tecla produz infinitas sonoridades. Em Belo Horizonte, existem cerca de 20 cravos hoje, o que não é pouca coisa diante à história desse instrumento. O problema é que a música erudita fica muito restrita à academia, por isso queremos levar o cravo até o grande público”, destaca o professor.

Durante a I Semana do Cravo, alunos de música que tenham intimidade com o piano poderão aprender técnicas básicas do instrumento em 15 horas de aulas ministradas pelo cravista Felipe Nabuco Silvestre, criador do Centro de Estudos em Música Barroca de Porto, em Portugal. As vagas são limitadas para 15 alunos ativos – que vão tocar – e outros dez ouvintes, que poderão trocar experiências com os colegas.

As aulas teóricas sobre o cravo serão dadas na quinta-eira, véspera de encerramento do evento. O cravista Edmundo Hora, doutor no instrumento pela Unicamp, é um dos principais palestrantes e vai falar como o cravo pode ser inserido na música contemporânea. “Pouca gente sabe, mas Mozart, um dos maiores gênios da música, compunha essencialmente para o cravo, apesar de tocar piano em seus concertos. E não é possível dizer que Mozart envelheceu”, questiona o músico.

Durante toda a semana, vários concertos gratuitos também serão realizados no Conservatório da UFMG com peças de nomes como Arcangello Corelli, Baldassare Galuppi, Lindembergue Cardoso e Johann Sebastian Bach. Para participar das aulas e palestras da I Semana do Cravo, é necessário fazer inscrição no site www.semanadocravodaufmg.com.br.

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