Vargas tenta isentar Padilha

Deputado ligado ao doleiro Alberto Youssef nega que ex-ministro tenha feito indicação ao Labogen

iG Minas Gerais |

Pressão. Isolado pelo PT, Vargas não quis responder se pretende reassumir seu cargo na Câmara
Mario Agra / Divulgacao
Pressão. Isolado pelo PT, Vargas não quis responder se pretende reassumir seu cargo na Câmara

Brasília. O deputado federal licenciado André Vargas atribui a “uma interpretação apressada” a suspeita de que o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha teria indicado um ex-assessor da pasta para trabalhar no Labogen, laboratório que, segundo a Polícia Federal, centralizava o esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef e desbaratado pela Operação Lava Jato.

Durante as investigações, os policiais federais interceptaram uma mensagem de texto enviada por celular de Vargas para Youssef na qual o deputado afirma: “Foi Padilha que indicou”, referindo-se a Marcus Cezar Ferreira de Moura, que já havia trabalhado no Ministério da Saúde, como assessor de eventos, por alguns meses no início de 2011. Moura passou a trabalhar no laboratório meses depois. O Labogen havia fechado uma parceria com o Ministério da Saúde para fornecimento de medicamentos. Após a operação da Polícia Federal, o negócio foi desfeito. A pasta afirma que não realizou nenhum pagamento para o laboratório suspeito.

Após a revelação do envolvimento de Vargas com o doleiro – chegou a viajar num jatinho de Youssef –, o parlamentar deixou seu cargo de vice-presidente da Câmara. Quando o nome de Padilha apareceu, Vargas passou a ser pressionado pelo PT para renunciar ao mandato. Acabou se desfiliando do partido. No fim de semana, Vargas negou que Padilha tenha feito a indicação e citou a “interpretação apressada”.

Numa mensagem de texto, afirmou ao jornal “O Estado de S. Paulo”: “Não está dito que o Padilha indicou para o Labogen. Interpretação apressada e fruto de vazamentos seletivos e parciais levou vocês a manchetarem contra o PT”. O deputado federal já havia negado envolvimento de Padilha na indicação ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, e ao jornal “Folha de S.Paulo”.

Apesar de dizer que a mensagem de texto enviada a Youssef foi mal interpretada, Vargas não quis dizer exatamente em qual contexto ele estava citando o ex-ministro da Saúde. Padilha também nega que tenha indicado Moura para o Labogen.

O ex-ministro, que é pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, interpelou Vargas judicialmente para que ele confirme ou negue o conteúdo das mensagens trocadas com o doleiro, que está preso desde de março sob acusação de comandar o esquema de lavagem de dinheiro que envolve o laboratório. É a partir dessa interpelação que Padilha espera obter munição política para tentar afastar seu nome do esquema comandado por Youssef.

Indiciamento

Denúncia. O Ministério Público deve apresentar mais quatro denúncias a partir das investigações da Lava Jato. A PF e o MP devem pedir a quebra do sigilo de, pelo menos, 60 contas bancárias.

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