‘Queria entender o jornal do ponto de vista de quem lê’

Kátia maria belisário doutora em comunicação pela UNb

iG Minas Gerais |

Porque você escolheu o Super Notícia como tema da pesquisa? Sou publicitária, me formei na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1983, depois fiz mestrado nos Estados Unidos e sempre gostei da área de comunicação popular. Quando voltei para o Brasil, comecei a dar aula e entrei na Universidade de Brasília. Para continuar na academia, optei pelo doutorado e queria falar de um jornal popular. Coincidentemente sou de Belo Horizonte e descobri que o SUPER estava em primeiro lugar entre os jornais mais lidos do país, mais do que a “Folha de SP”. Comecei a questionar isso e surgiu a ideia da pesquisa. Foi mais uma curiosidade por eu ser de Minas e pelo jornal não ser tão conhecido em outros Estados e, mesmo assim, ser o mais vendido no país.

Como você realizou o trabalho? A banca que mais vende o jornal é a do metrô do Eldorado, em Contagem. Fui até lá. É um jornal que o público lê ali na estação. Fiz mais ou menos uma etnografia e passei alguns dias na estação. Fui na casa das pessoas que leem o jornal, conversei com elas, nas paradas dos ônibus. Fui duas vezes a Contagem para a pesquisa. Todas as manhãs, quando eu chegava na estação, procurava avaliar os leitores, a rotina e a renda dessas pessoas, já que o leitor é principalmente das classes C e D. Me interessava saber sobre o que o governo chama de nova classe média e queria entender se eles consomem mais, quais os valores, o que eles acreditam, quais as crenças, os medos, as expectativas. A minha pergunta para quem lê o SUPER NOTÍCIA era o que eles buscavam no jornal. A característica do público. Queria entender o jornal do ponto de vista de quem lê.

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