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Super Notícia inova e vira fonte para pesquisas acadêmicas

iG Minas Gerais |

Para Kátia, leitores buscam notícia de crimes para prevenir, e não por curiosidade
Arquivo pessoal
Para Kátia, leitores buscam notícia de crimes para prevenir, e não por curiosidade

A criação de um novo tipo de leitor, a popularização do jornal e a função social do são alguns dos ingredientes que geraram estudos e levaram o periódico para as universidades. Ao longo de seus 12 anos de existência, foram feitos diversos trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre o seu papel frente a esse novo público – que antes não era grande consumidor de notícia impressa –, sobre os altos números de vendas e sobre o benefício que ele causa em seus leitores. Super Notícia

Renata Kelly de Arruda, de 36 anos, é bibliotecária e fez sua dissertação de mestrado sobre o jornal. Atualmente, ela estuda sociologia da leitura na Universidade de Campinas (Unicamp) e tem como objeto de sua pesquisa de doutorado os leitores do . “Eu sempre fiquei curiosa ao ver a quantidade de pessoas que leem o jornal em Belo Horizonte. A academia não o conhecia, mas quando mostrei os dados das vendas, todos se impressionaram e acabei conseguindo avançar no meu estudo”, explica. Super

Durante o mestrado e nos dois primeiros anos do doutorado, ela foi em busca desse leitor, para entender como ele é. A principal percepção é a carência preenchida pela publicação. “As pessoas se veem ali. A rua dele está ali, o ônibus que atrasa. As pessoas com iss, acham que existe algum tipo de poder preocupado com eles. Além disso, isso é publicado”, comenta.

Para a estudiosa, mesmo que essas pessoas não adquiriam outros hábitos de leitura e continuem apenas lendo o jornal diariamente, isso já é muito válido já que, além de informar os leitores, o jornal também cria uma sociabilização quando as pessoas interagem sobre a leitura.

Para o doutorado, que Renata terminará no início de 2015, a ideia é identificar esse leitor, descobrir o que o atrai e ver o que essas pessoas querem com o jornal. “Penso que ele quer se ver e, de fato, se vê ali”, avalia.

Proximidade

O também foi tema do doutorado da publicitária Kátia Maria Belisário, da Universidade de Brasília (UnB). A pesquisa procurou entender quem é o principal público leitor. Para ela, são pessoas de classe mais baixa e que encontram na publicação uma proximidade. “O que eu mais vi foi a proximidade do com os problemas das pessoas. Ele reflete esse cotidiano e fala de assuntos da comunidade dos leitores”, explica.Super Super

Além de ser uma leitura rápida e que dialoga com um público que antes não tinha contato com o jornal impresso, a publicação tem uma função na vida dessas pessoas. “Não entendia muito bem a relação dessas pessoas com as notícias de crime. Descobri um ponto muito interessante. As pessoas leem esse tipo de notícia para prevenir o crime, e não por curiosidade. Principalmente para as mulheres, é uma forma de saber locais de risco e de incidência da violência”, explica a doutora. ‘O Super não mente’ Na tese “De Chicago a Contagem: Páginas do cotidiano no popular mais lido no Brasil”, Kátia Belisário constata que as notícias mais lidas envolvem crimes e futebol, além dos Classificados e Emprego. Segundo ela, as pessoas confiam no que é publicado e afirmam que o Super nunca mente. 

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