O desafio de Dilma

iG Minas Gerais |

Conseguirá Dilma se reeleger? As eleições de outubro nos darão um novo presidente? Se depender dos resultados acumulados nos três anos e quatro meses de seu governo, existem sérios motivos para acreditar que ela enfrentará desafios enormes. Dilma não é propriamente um fenômeno empolgante; seu sucesso em 2010 se realizou em decorrência de forças exógenas e convergentes, que fizeram dela a opção vencedora. Nunca tinha disputado qualquer cargo pela via eleitoral. Os fatores que determinaram sua vitória se enfraqueceram, alguns desapareceram, e outros se voltaram contra ela. O arsenal minguou. Ainda o quadro econômico atual é marcado de quedas e de incertezas. O cidadão sente que o sacrifício representado pelos elevados impostos é desperdiçado em descasos, privilégios, abusos e corrupção. O caso da refinaria de Pasadena simboliza um sistema perdulário de desperdícios e covardias com o dinheiro do cidadão. Dilma, por sua vez, não encontrou jeito de passar adiante das adversidades com sucesso. O quadro que a emoldura é de inquietude e interrogações. Os setores de saúde e de segurança registram a pior avaliação de sempre em todo o território nacional. São pedras no sapato para a população e bloco de rocha no pescoço da presidente. Chega a 80% o percentual de quem reclama dos péssimos serviços nessas áreas. Dilma não tem um álbum de recordações alegres a mostrar, nem um coelho na cartola, ou algo que faça de seu reinado uma era que deixou saudade. A infraestrutura do país está mais esgarçada e insuficiente do que estava quando assumiu; obras continuam inacabadas e marcadas por negociatas; o descontrole corrói as contas públicas; o déficit na balança comercial e financeira assusta; a avaliação de risco do Brasil não para de piorar. A viabilidade urbana surgiu como castigo que não poupa ninguém. Durante o governo dela caiu a carapuça do pré-sal, hoje sinônimo de atraso, fracassos, quebra de Eike Batista e prejuízos imensos. A Petrobras parece ter sido atacada por cupins e disposta a cair a qualquer momento. A Eletrobras na gestão de Dilma, ao contrário de conseguir amenizar contas de luz, está gerando aumentos absurdos, e o pior ainda está por vir. Os circos da Copa, em vez de acalmarem o povo, o colocaram a pensar que os bilhões gastos para alguns jogos de futebol poderiam melhorar a vida de todos em todos os dias. Diminuir sofrimentos, colocar mais indefesos em escolas, diminuir as filas do SUS, construir metrôs. O padrão Fifa, de primeiro mundo, ao entrar no Brasil, mostrou que o Estado ainda se orienta por um padrão tupiniquim. Eis o problema. Na prática, o sistema eleitoral em nossa terra concede ao governante oito anos de mandato e a necessidade de passar por uma confirmação depois dos primeiros quatro anos. Nisso está o maior problema de Dilma. Os resultados são escassos, confusos, insuficientes para pintar num quadro que justifique o voto da maioria. Empalidecem a um exame mais atento e não resistem a um confronto estatístico. Mas, para o governante, precisará contar também com outros fatores conjunturais. Nisso entra o status da economia do planeta globalizado. Uma boa onda deixa mais fácil surfar, e Dilma, por sua infelicidade, enfrentará desta vez um refluxo. A desfavor ela tem a capacidade de comunicar, bastante ineficaz e confusa. De fora não contará com a presença fatídica de Lula, nem com a maré favorável. Ainda vêm aí uma Copa e o que acontecerá durante o mês de junho. O padrão Fifa ficará confrontado com o padrão tupiniquim de todos os dias. Não será fácil para Dilma; disso a força que o “Volta, Lula” vem tomando a cada dia. 

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