China quer seguir japoneses

Profissionalização e atração de grandes nomes são trunfos, mas público ainda é pequeno nos estádios

iG Minas Gerais | Gabriel Pazini |

Transferência. Treinador Cuca se rendeu ao futebol chinês no fim do ano passado ao acertar sua ida para o time do Shandong Luneng
Ahmed Belmekki
Transferência. Treinador Cuca se rendeu ao futebol chinês no fim do ano passado ao acertar sua ida para o time do Shandong Luneng

Muita gente não entende como a China, país com mais de 1,35 bilhão de habitantes, não consegue formar uma seleção de futebol forte. A explicação passa pelo amadorismo, falta de investimento e popularidade do esporte no país, mas isso tem mudado nos últimos anos.

Tentando repetir a fórmula de sucesso do futebol japonês, a China profissionalizou sua liga, a transformando na Chinese Super League (CSL). A contratação de jogadores estrangeiros, o investimento pesado no campeonato, a estrutura dos clubes e a popularização do esporte são marcas do futebol chinês nos últimos anos. E, como todo trabalho de longo prazo, os resultados ainda estão começando a aparecer, mas a tendência é que o futebol cresça cada vez mais no país asiático.

Até começar a investir para valer, o Japão – espelho dos chineses – não tinha força no futebol, que era amador e tinha times, majoritariamente, de empresas. No entanto, o esporte se popularizou fazendo o que a China busca hoje.

Para isso, o país apostou na contratação de craques como Zico e várias estrelas mundiais. Todo esse cenário rendeu em uma rápida revelação de talentosos e disciplinados jogadores nipônicos, que surgiram e fizeram sucesso na Europa. A seleção japonesa também evoluiu: conquistou quatro vezes a Copa da Ásia e se tornou a mais forte do continente.

Outra evolução perceptível é o Campeonato Japonês. A J-League é a liga mais forte da Ásia, e o Japão, com um excelente trabalho nas categorias de base, tem revelado muitos jogadores de qualidade. Vários atletas são exportados para o futebol europeu e têm feito sucesso no velho continente.

Com essa rápida evolução do futebol nipônico em apenas 20 anos, a China tenta repetir a fórmula, mas tem tido dificuldades em levar jogadores de nome para o país. Até agora, apenas Drogba e Anelka aceitaram o desafio. Apesar disso, o futebol ainda não emplacou por lá. Apenas o Guangzhou Evergrande, atual campeão asiático, tricampeão nacional e líder da atual edição da CSL, tem uma boa média de público: 45 mil pessoas por jogo. A maioria tem uma média inferior a 10 mil pessoas por jogo.

EVOLUÇÃO. No entanto, os jogadores que estão na China acreditam na evolução do futebol no país. “Quando cheguei aqui, o futebol era um pouco amador. Depois, com a evolução do Guangzhou, os outros clubes resolveram ir pelo mesmo caminho, e o esporte se desenvolveu por todo o país. A expectativa de todos é a melhor possível”, afirma Muriqui.

“A tendência é os chineses irem cada vez mais aos estádios assistir aos jogos. A final da Liga dos Campeões da Ásia do ano passado gerou uma movimentação no país inteiro. Nas ruas, nos jornais e em todos os lugares vimos pessoas falando do nosso jogo”, conclui.

(*) Sob supervisão de Denner Taylor

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