Nem macaco, nem humano

iG Minas Gerais |

Seríamos todos macacos? Pois deu o que falar um jogador brasileiro comendo banana. Virou um bananal danado nas redes sociais, foi uma festa. Campanha de marketing, tapa de luva, criatividade ou falta dela, o certo é que foi mais uma dessas saladas de frutas, onde radicais, agressivos, racistas e anti, famosos e candidato a famosos, leigos e doutores; enfim, essa fauna internáutica, que transforma quase nada em muita coisa ou muita coisa em quase nada que preste, se fez presente, condenando, criticando um fato que se torna a cada dia mais banal. Dá uma preguiça danada esses conteúdos multimídias, que após uma infinidade de atitudes virtuais, pouco ajuda no dia a dia dos que são discriminados, marginalizados, minorias em geral. Por isso, o que mais me chama a atenção é o quanto estamos nos distanciando, nos subdividindo em raças, classes sociais, religiosidade, etnias. Me impressiona o quanto a comunicação global vem nos deixando cheios de rótulos, classificação, tribos. E o que me intriga é que a solidariedade no caso da banana é que, para que fosse criada uma empatia, uma solidariedade global ao jogador, uma prestigiosa agência de publicidade, tida como genial, resolve voltar a família dos macacos para lembrar que somos primatas, adoramos banana, somos mamíferos, mas que evoluímos para uma família mais evoluída a “sapiens”, que origina do grego saber, ter raciocínio, lógica, ser falante e se comunicar. Daí uma ala revoltou e quis que a campanha fosse: Somos todos humanos! Sei lá. Seria humano matar, roubar, corromper, ser egoísta, indiferente às tragédias como fome, sede, falta de moradia? Seria humano odiar semelhantes por um ser judeu, outro palestino, russo ou ucraniano, nordestino ou sulista, pobre ou rico? Seria humano tão poucos terem tanto e quase todos pouco terem? Sei lá. O certo é que quando agimos de forma animalesca, brigando por território, seguindo cegamente falsos líderes, agredindo e matando, roubando e humilhando, odiando, falando mal uns dos outros, intrigando, caluniando, ofendendo, traindo e mentindo penso que, se fomos criados para ser imagem e semelhança do criador, ele deve estar arrependidíssimo! Se o projeto fosse o de usar nossa inteligência e palavras para nós divinizar, com certeza, ao invés de buscar o que nos une e o que temos em comum, pegamos a pista contrária: a cada dia o universo da internet tem contribuído para acentuar nossas diferenças, nossa pobreza de espírito, nossa falta de perdão, compreensão, altruísmo, elementos essenciais para que nos humanizemos. Me chateia a observação que a globalização deveria ser menos voltada para aspectos econômicos, sociais, e, sim, para uma busca de comunhão, sentido comunitário, buscando humanizar e distribuir oportunidades, alimentos, abrigos etc. Fácil, óbvio é a percepção do que nos difere – nossa cor, raça, religião, classe social, nacionalidade entre outras –, mas a beleza reside exatamente na busca do que temos em comum: somos angustiados, carentes, tememos o futuro, temos medo, somos inseguros, insatisfeitos. Mas somos a única espécie que pode amar, entender a natureza, criar, sonhar fantasias, se emocionar com a música, arte, literatura. Somos mais que macacos, menos que humanos. Quase virando máquina, perdidos nos labirintos do mundo virtual, avatares, personagens de um autor que já não consegue escrever histórias doces, românticas, positivistas. No final, somos partículas divinas em busca de se tornar o todo!

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave