O quê? Coachella?

iG Minas Gerais |

O que é isso? – alguns dirão. Um novo modelo de bolsa da marca Coach? Os mais antenados – ou os mais jovens – balançarão a cabeça como que com pena dos incautos que não sabem o que é Coachella. Afinal, o Coachella Valley Music and Arts Festival, que acontece anualmente sob o calor do deserto do Colorado, na Califórnia, é o festival mais badalado do momento, gerando páginas e páginas – ou pins e pins, ou ainda hashtags e hashtags – de publicidade. E não é para menos. O festival, que dura dois fins de semana seguidos, atrai gente de todos os Estados Unidos e também estrangeiros, que vão curtir o clima de eterno verão da região, escutar boa música (Lanna Del Rey e Pharrel Williams estavam por lá neste ano. Mas os palcos de Coachella já receberam Paul McCartney, Madonna, Jay-Z, Kanye West, Duran Duran, Coldplay, Petshop Boys, entre centenas de outros famosos), e afirmar que são o público mais estiloso do planeta. Sim, Coachella, além de Festival de Música e Artes, virou uma grande passarela ao ar livre, à qual as pessoas vão para ouvir a música e – não menos importante – verem e serem vistas. Não é a toa que a gigante do fast fashion, a sueca H&M, é uma das patrocinadoras do evento. Na sua grande tenda atrai os participantes do evento com garrafas de água gelada – e gratuita –, locais para carregar o celular e, uma área exclusiva para que eles possam experimentar e se produzir com as roupas feitas com inspiração no festival, o que dá direito também a uma caminhada virtual pela passarela da tenda. A francesa Sephora é outra patrocinadora. Em seu espaço, as indispensáveis garrafinhas de água, espaço para carregar o celular e maquiadores que ficam de plantão para dar o retoque desejado pelas mulheres no make que desapareceu com o suor, seja do calor, seja da vibração durante os shows. Existem outras pessoas que fazem de Coachella um grande campo de pesquisa. Donos de marcas de moda de street wear ficam de olho nas bandas que podem render parcerias e divulgar seus produtos. Consultores de moda de grandes e pequenas marcas fazem do local um imenso campo de pesquisa: o que os jovens estão usando (jovens e não tão jovens pois, segundo o jornal “New York Times”, o público-alvo é de 20 a 30 anos), quais as tendências que saíram das passarelas e foram adaptadas para o street wear e o que tem potencial para virar uma nova tendência. Preocupações de vida ou morte para a indústria da moda. O shortinho, de qualquer tecido, mas o jeans principalmente, é o campeão absoluto em preferência. Bem, isso já dá para ver aqui pelo Brasil. Quem trabalha em meio aos jovens – como eu, que sou professora – já deixou de se espantar com os comprimentos da peça. As blusas cropped, que há alguns anos era simplesmente miniblusa. Shorts com botas, saias com botas… Embora o Festival prime pelo bom tempo e pelo calor, as botas não são mais itens de inverno. Agora são itens de estilo. Chapéu de feltro de abas largas, um revival dos anos 1970. Bijus, muitas bijus, de todos os tipos e cores. Coachella é bom para todos. Até a Top Shop, concorrente direta da H&M, embora ainda tenha poucas lojas nos EUA, estava no festival. Não montou tenda, não deu nenhuma festa à beira da piscina, mas cravou um gol de placa. O fim do show de Solange Knowles trouxe para o palco a irmã mais famosa: Beyoncé. A cantora juntou-se à irmã para apresentar um trecho coreografado. Levou os fãs ao delírio. O que mais? Ela vestia um conjuntinho (proposta apresentada pela Prada há algumas estações) de saia e blusa estampada florida e jovial. A marca? Top Shop. Foi ou não um belíssimo gol? Mariana de Faria Tavares Rodrigues é mestre em moda, pesquisadora de história da moda, e docente no Centro Universitário UNA. Ela divide este espaço com Lobo Pasolini, Ludmila Azevedo, Silvana Holszmeister, Jack Bianchi e Tereza Cristina Horn

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