Artista barroco e seu legado são revisitados

Bicentenário de Aleijadinho inspira comemorações

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Patrimônio. Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, é considerado a obra-prima de Aleijadinho
leo fontes
Patrimônio. Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, é considerado a obra-prima de Aleijadinho

Se durante o século XIX, a mentalidade artística brasileira recusava o barroco, especialmente a partir da chegada da Missão Artística Francesa ao país, foram os modernistas, como Oswald de Andrade (1890- 1954), que recuperaram a importância de um legado que tem no nome de Antônio Francisco Lisboa uma de suas principais referências. Considerado o maior artista brasileiro do período colonial, Aleijadinho é reverenciado de maneira crescente e agora ganha diversas homenagens em razão do bicentenário de sua morte, registrada em 18 de novembro de 1814. Uma dessas ações veio a público ainda em 2013, quando a Lei 20.470/2012, aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, determinou tal data como o Dia do Barroco Mineiro. “Desde o lançamento dessa iniciativa no ano passado, a importância de tratar o barroco, não só a partir do ponto de vista das artes visuais, mas também da música, entre outros segmentos, ganhou mais atenção. Desta vez, o destaque sem dúvida é para Aleijadinho que, ao ser o maior representante do barroco mineiro, eleva o movimento artístico ao status de reconhecimento que merece”, observa Eliane Parreiras, Secretária de Estado de Cultura. Vêm sendo também realizadas desde novembro de 2013, atividades em Congonhas, cidade que abriga o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos – obra-prima do artista no campo da escultura. Prevista para acontecer até o fim deste ano, essa programação deve culminar na inauguração do museu voltado, principalmente, às criações de Aleijadinho e à arte sacra. “A ideia é que essas ações aconteçam até novembro de 2014, fechando assim o ciclo de comemoração do bicentenário do artista. Desde 2013 nós abrimos a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos para uma série de concertos centrados na música colonial, o que teve como objetivo trazer a população para aquele espaço. É uma forma de estimularmos a atenção do público com o patrimônio cultural e artístico”, explica Sérgio Rodrigo Reis, presidente da Fundação Municipal de Cultura de Congonhas. Abordagens. Reis pontua que a memória do escultor e arquiteto tem sido revisitada até o momento por meio de diferentes abordagens. Em março, por exemplo, foi tema do Carnaval da cidade e, mais recentemente, as esculturas dos Passos da Paixão de Cristo, pertencentes ao Santuário, serviram como ponto de partida para um espetáculo encenado durante a Semana Santa. “Já no próximo domingo (11/5), vamos inaugurar a Semana Nacional de Museus, toda ela dedicada a Aleijadinho, com a presença de Angelo Oswaldo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e da historiadora Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, a maior especialista do artista no Brasil. Os dois vão abordar aspectos da vida e da obra do homenageado. Myriam, especificamente, vai tratar do processo de restauração dos Passos da Paixão de Cristo”, diz Reis. Oswaldo deve visitar o museu, que vem sendo construído desde 2006, com algumas interrupções. Em fase de acabamento, o futuro museu tem, entre os seus objetivos, qualificar a fruição das criações do mestre barroco. “Geralmente as pessoas chegam em Congonhas, passam pelas capelas dos Passos da Paixão de Cristo, observam os 12 profetas no adro da igreja, mas não encontram informações que as ajudem a entender a dimensão daqueles trabalhos”, esclarece o presidente do Ibram. Outra contribuição do museu, para ele, é o fomento ao turismo. “Hoje o tempo médio da visitação ao Santuário é de cerca de uma hora. Com o equipamento, as pessoas vão encontrar mais um atrativo para permanecerem no local, aprofundando os seus conhecimentos sobre as obras expostas ao ar livre; a história da criação do Santuário; e dos materiais usados por Aleijadinho”, diz. Jurema Machado, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, instituição que concebeu o projeto do museu, ressalta que esse não será um equipamento estático, mas interessado em tecer diálogos constantes com manifestações do presente. “Haverá um acervo conectado com a história de Congonhas, que é um importante destino de peregrinação, até estudos e depoimentos que servem para pensar como aquele sitio está presente no imaginário nacional, no cinema, nas artes visuais, nos quadrinhos, entre outros”, conta Machado. “A intenção é permitir a quem visitar as exposições olhar com mais profundidade o que encontra em Congonhas”, conclui. Pesquisa. Diversificado deverá ser também o roteiro de eventos desenhado pela Secretaria de Estado da Cultura para celebrar a efeméride em Belo Horizonte e em outros municípios. Eliane Parreiras frisa que estão ainda na mira propostas para incentivar a pesquisa e a educação. “São iniciativas que visam abarcar o barroco e as obras de maneira ampla. Mobilizamos uma equipe de especialistas para pensar o conteúdo dessa programação e estamos chegando a um conjunto de atividades culturais, a ser compartilhado em breve, com a sociedade que está ancorado em todas as áreas artísticas”, afirma a secretária. “Haverá exibições de trabalhos escultóricos, pictóricos, lançamentos de livros relacionados ao barroco, entre outros, que vão divulgar a produção artística mineira”, diz Pareiras. 

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