Para Aécio Neves, Dilma é honesta, mas incompetente

Falando a pecuaristas, senador diz ser indiferente enfrentar Lula ou a presidente em outubro

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira e Guilherme Reis |

No campo. Falando pela segunda vez como candidato do agronegócio, senador disse que Dilma é despreparada para governar o Brasil
douglas magno
No campo. Falando pela segunda vez como candidato do agronegócio, senador disse que Dilma é despreparada para governar o Brasil

Uberaba. Um dia depois de participar de ato sindical em São Paulo recheado de críticas à presidente Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, afirmou nessa sexta na Expozebu, uma das maiores feiras agropecuárias do mundo, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, que sua principal adversária na corrida pelo Palácio do Planalto é honesta, mas incompetente.  

“Acho que a presidente da República é uma mulher honesta, é uma mulher de bem. Não faço nenhuma crítica contra sua conduta pessoal. Acho apenas que ela está despreparada para governar um país da complexidade do Brasil”, disse ele sem querer endossar as críticas do deputado Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), o Paulinho da Força, que havia dito no 1º de Maio que a presidente deveria estar na Papuda, presídio onde os condenados pelo mensalão cumprem pena, em Brasília.

Sobre a disputa eleitoral, o tucano disse não se importar com o movimento “Volta, Lula” ou com a confirmação de Dilma como candidata do PT em outubro. “Não cabe a mim fazer qualquer consideração. Para mim é indiferente. O que tenho dito é que a nossa candidatura é contra esse modelo. Dessa omissão crescente dos investimentos em saúde pública, da omissão criminosa na segurança pública. O projeto que estamos assumindo é de pé no chão, com a bota no pé, como aqui em Uberaba. O candidato, eles é que escolherão”, afirmou

Com um discurso bastante afinado com as demandas do setor agropecuário, Aécio prometeu dar condições à missão de dobrar a produção. Prometeu que irá garantir condições de segurança aos produtores e empresários em relação a invasões e disputas por terras com sem-terra e grupos indígenas. “Não há nada mais antiecológico que a pobreza. Temos que respeitar o meio ambiente, mas precisamos dar segurança jurídica aos investidores. Ninguém investe em segurança. Temos que garantir os direitos dos donos da terra”, afirmou.

Antes do discurso do senador, o presidente do Associação Brasileiras dos Criadores do Zebu (ACZB), Luiz Cláudio de Souza Ferreira, havia dito que as invasões de terra são hoje a maior demanda do setor. “Precisamos garantir o direito a propriedade de quem é realmente o dono dela. Tem família que trabalha na mesma terra há 150 anos, e aí chegam pessoas com outros interesses e tentam possuir a terra”, afirmou Ferreira.

Pela segunda vez nesta semana, Aécio Neves se intitulou o candidato do agronegócio. O senador estava acompanhado do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos líderes da bancada ruralista, do governador de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP) e do candidato do PSDB ao governo, Pimenta da Veiga.

Endinheirados

R$ 1 milhão. Pela manhã, durante evento com empresários, na Bahia, Aécio começou seu discurso de 35 minutos, brincando com o presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), João Dória Júnior, dizendo que ele poderia ser seu arrecadador de campanha, após Dória ter coordenado a arrecadação recorde para o Instituto Ayrton Senna. Em poucos minutos foram mais de R$ 1 milhão.

Isolado, Jaques Wagner ironiza Comandatuba (BA).Um dos mais importantes aliados da presidente Dilma Rousseff no Nordeste, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), foi o único petista presente na cerimônia de abertura do Fórum de Comandatuba (BA), nessa sexta pela manhã. Ao defender o governo, ele ironizou a participação de Aécio Neves na festa do Dia do Trabalhador. “Vi no 1º de Maio muito candidato de oposição ao lado dos que pedem o fim do fator previdenciário e a redução da jornada de trabalho. É meio esquisito para quem fala em medida ortodoxa e impopular apoiar isso na hora do discurso”, afirmou. Em outra crítica indireta a Aécio, Wagner disse também que “o controle da inflação era um patrimônio de todos e não do partido A ou B”, referindo-se ao discurso do tucano de que a conquista é do governo FHC.

Mais críticas Retrocesso. Após breve elogio ao petista, nessa sexta, no evento com empresários na Bahia, Aécio Neves criticou a mudança nos pilares macroeconômicos iniciada no segundo mandato de Lula. “Estamos voltando à agenda de dez anos atrás”. E alfinetou: “Tenho divergências profundas com os que estão no poder (governo do PT).” Carga tributária. Outro alvo de crítica foi a “escorchante carga tributária”. Aécio prometeu que, se eleito, apresentar proposta de simplificação tributária, arrancando aplausos dos empresários.

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