Calçada da fama de BH será substituída por pedras portuguesas

Passeio homenageia pilotos da Fórmula 1 e foi criado nos anos 70

iG Minas Gerais | Jáder Rezende |

Decadência. Estrelas que homenageiam grandes pilotos da Fórmula 1 em calçada estão deterioradas e bastante sujas
Lincon Zarbietti / O Tempo
Decadência. Estrelas que homenageiam grandes pilotos da Fórmula 1 em calçada estão deterioradas e bastante sujas

A única calçada da fama de Belo Horizonte está com os dias contados. Até o final do próximo ano, as estrelas do passeio do quarteirão do Shopping Tupinambás, no Barro Preto, na região Centro-Sul da capital, darão lugar a pedras portuguesas, seguindo padrão estabelecido pela Prefeitura de Belo Horizonte em meados de 2003. A calçada homenageia pilotos da Fórmula 1 mas, para a maioria dos pedestres, passa despercebida na correria do dia a dia.  

A calçada da fama da capital foi instalada nos idos da década de 70, quando funcionava no local a Mesbla Veículos. O prédio abriga, desde 2004, o shopping popular Tupinambás. Diferentemente das calçadas da fama espalhadas mundo afora e que levam assinaturas, marcas de mãos ou pés de celebridades, a do Barro Preto apresenta apenas os nomes dos homenageados que, muito provavelmente, nunca estiveram no local e nem sabem que ela existe.

No passeio do quarteirão, que compreende a avenida dos Andradas e as ruas Tupinambás, Carijós e Rio Grande do Sul, foram coladas pelo menos 60 estrelas de mármore de 80 cm, com nomes de pilotos, além de outras oito sem qualquer identificação. Parte delas foi cimentada ou está danificada, outras encobertas por lixeiras e bancos. A maioria, no entanto, resistiu à ação do tempo.

Entre os nomes que ainda podem ser observados figuram os dos brasileiros Ayrton Senna, Rubinho Barrichello, Nelson Piquet, Wilson Fittipaldi, e dos estrangeiros Gil de Ferran, Alain Prost e Michael Shumacher. Na avenida dos Andradas estão Pedro Paulo Diniz, Ralf Shumacher, Frank Williams, Mika Hakkinen e Tony Kanaan.

Sujeira. O quarteirão do Shopping Tupinambás, que outrora foi uma área nobre e limpa, se transformou em ponto final de várias linhas de ônibus, com grande concentração de passageiros e moradores de rua, imperando a sujeira e o mau cheiro.

A auxiliar de frios Kelly Ferreira, 25, que passa pelo local diariamente para pegar um ônibus para Sabará, confessa que jamais atentou para as estrelas encravadas nos passeios.

“Só reparo que essas calçadas estão mais imundas e fedorentas a cada dia que passa”, disse. Ao observar mais atentamente, a pedido da reportagem, ela disparou. “Acho que são nomes de artistas”. Após ser informada de quem se tratavam os nomes, ela completou. “É uma homenagem bacana, mas está bem detonada, precisando de reforma”.

Outro passeio

Mineirão. O Museu do Futebol do Mineirão abriga peças da antiga calçada da fama do estádio. Inaugurado em 2010 pelo rei Pelé, o acervo reúne coleção de placas de bronze com pés e mãos de craques do futebol.

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