Usina dá prejuízo a fazendeiros

Eles reclamam que foi descumprida promessa de que, com a obra, leito do rio seria regular o ano todo

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Obra. Usina foi entregue em 2006
EMMANUEL PINHEIRO
Obra. Usina foi entregue em 2006

Uma fazenda à beira de um rio com curso estável durante todo o ano, sem inundações nem períodos de seca. Esse é o sonho de todo produtor rural e foi a promessa feita pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) aos proprietários atingidos pela construção da Usina de Irapé, no Vale do Jequitinhonha. Porém, segundo eles, o cenário, oito anos depois, é outro. As cheias e as estiagens já não seguem o clima da região e estariam ocorrendo irregularmente, definidas pela necessidade de abrir ou fechar as comportas da usina para produção de energia.  

Dono de uma fazenda na zona rural de Araçuaí, Aluísio Duarte, 76, diz que se sentiu enganado e contabiliza prejuízos desde a construção da usina. “Disseram a nós que teríamos pelo menos 2 m de água, de uma margem a outra, o ano todo. Porém, tem dia que o leito não tem 10 cm, e, em menos de 24 horas, sofremos com uma inundação”, conta. Ele revela que já perdeu três barcos levados em enchentes e tem também outros problemas. “Não posso utilizar as bombas de irrigação, e a colheita do milho fica prejudicada”, lamenta.

O problema é sentido por outros produtores da região. Aderbal Murta, 66, diz que a situação está pior que antes da usina. “A gente cresce sabendo direitinho quando é tempo de seca e quando é tempo de cheia, e se prepara para isso. Agora, está completamente desregulado”, desabafa.

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