Cientistas mais perto de um novo remédio para emagrecer

Base seria uma substância liberada no intestino quando se come fibras de legumes e verduras

iG Minas Gerais | da redação |

Hábitos. A pesquisa alerta para os males da alimentação processada, que não fornecem as fibras que ajudam a garantir a saciedade e a controlar
o peso
Cristiano trad/arquivo
Hábitos. A pesquisa alerta para os males da alimentação processada, que não fornecem as fibras que ajudam a garantir a saciedade e a controlar o peso

Pesquisadores ingleses publicaram na importante revista científica Nature a mais recente descoberta em relação à obesidade: uma molécula que diz ao corpo quando se deve parar de comer. A novidade abre caminho para o desenvolvimento de novos medicamentos contra a obesidade.  

Os pesquisadores do Imperial College, de Londres, afirmam que o segredo estaria na substância acetato, liberada no intestino durante a digestão das fibras presentes em frutas, legumes e verduras. Eles dizem que uma pílula com a molécula teoricamente poderia ajudar as pessoas a comerem menos sem se submeter a dietas rigorosas.

Na última quarta-feira, o Ministério da Saúde divulgou pesquisa mostrando que metade da população está acima do peso no país. No total, 17,5% dos brasileiros estão obesos.

O estudo britânico aponta que grandes quantidades de acetato são liberadas quando frutas, legumes e verduras são digeridas por bactérias intestinais.

Hipotálamo. Os cientistas observaram o comportamento da molécula e constataram que a substância tinha impacto sobre a região do hipotálamo do cérebro, que controla a fome.

A pesquisa sugere que a obesidade se tornou uma epidemia global quando a humanidade passou a ter uma dieta baseada em comida processada, que não reage com a bactéria presente no intestino e, portanto, não produz acetato. Dessa forma, o cérebro não recebe sinal de saciedade.

Atualmente, a dieta padrão na Europa contém apenas 15 gramas de fibras por dia. Nos tempos da Idade da Pedra, esse valor era de cem gramas por dia.

“O nosso sistema digestivo não evoluiu a tal ponto de termos de lidar com a dieta moderna, e esse desequilíbrio contribui para a epidemia de obesidade de hoje em dia”, afirmou o professor Gary Frost, do Imperial College, ao jornal The Daily Telegraph.

A pílula Tempo. Como o acetato fica ativo só por um pequeno período de tempo no corpo, cientistas acreditam que uma “pílula de acetato” seja necessária para prolongar o efeito da substância no organismo.

Desafio é dosar a quantidade ideal do acetato Embora afirmem que a principal conclusão da pesquisa é alertar sobre a necessidade de ingerir mais frutas, verduras e legumes, os cientistas do The Imperial College, de Londres, dizem acreditar que seria possível criar novas drogas para ajudar quem faz dieta. “A liberação do acetato é importante para entender como as fibras reduzem o apetite e isso pode ajudar a comunidade médica a combater a ingestão excessiva de alimentos”, afirmou o professor o professor Gary Frost. "O maior desafio é desenvolver uma droga que possa liberar a quantidade de acetato necessária para controlar a saciedade de uma forma que seja aceitável e segura para os humanos”, acrescentou o pesquisador. O estudo analisou os efeitos da fibra chamada inulina, que vem da chicória e beterraba e também é adicionada em barras de cereais.

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