Facebook planeja se dividir em múltiplos serviços menores

Para usar todos os recursos, pode ser preciso diversos aplicativos

iG Minas Gerais | Farhad Manjoo |


Mark Zuckerberg trabalha para mudar a forma como o Facebook distribui serviços
JIM WILSON
Mark Zuckerberg trabalha para mudar a forma como o Facebook distribui serviços

Nova York, EUA. Nos dois anos desde sua problemática oferta pública inicial de ações na Bolsa de Valores, o Facebook se tornou um forte negócio. Apesar das previsões em contrário, a base de usuários da empresa continua crescendo, e quase um quinto do tempo que os norte-americanos passam em seus smartphones é gasto no Facebook. Isso supera com ampla margem o tempo gasto com outros serviços e vence qualquer outra coisa que as pessoas fazem em seus celulares ou em suas vidas.  

E mesmo assim, quando foi a última vez que você amou algum novo recurso no Facebook? Os dois grandes produtos que a empresa revelou no ano passado – Home, uma tela de bloqueio para Android, e Graph Search, um mecanismo de busca – não conseguiram grande coisa. E algumas das novas ideias mais inovadoras vieram de start-ups, que o Facebook ou investiu enormes quantias comprando (US$ 19 bilhões pelo WhatsApp, US$ 1 bilhão pelo Instagram) ou tentando comprar sem sucesso (US$ 3 bilhões oferecidos pelo Snapchat).

Cada vez que um novo produto do Facebook surge, e cada vez que a empresa paga bilhões pela ideia de outra pessoa, começam a aparecer previsões sobre sua ruína.

Mas Mark Zuckerberg, cofundador e presidente da empresa, não está preocupado. O motor de inovação da rede social pode estar parado ultimamente, mas ele vem trabalhando para renovar a forma como a empresa cria e distribui novos serviços. A iniciativa, que ele começou a discutir mais cedo neste ano, chama-se “Creative Labs”, e pode ser resumida numa única palavra: “aplicativos”. Muitos e muitos aplicativos.

“O que estamos fazendo com o Creative Labs é basicamente desagregar o grande aplicativo azul”, declarou Zuckerberg numa recente entrevista na sede da empresa, em Menlo Park, na Califórnia.

No passado, disse ele, o Facebook era uma única coisa grande, um site ou aplicativo móvel que lhe permitia suprir todas as suas necessidades sociais online. Agora, especialmente nos celulares, o Facebook começará a se dividir em muitos outros serviços menores, de foco mais estreito, alguns deles sem nem mesmo a marca Facebook – e sem exigir uma conta na rede social.

Coragem para mudar. O plano é tão arriscado quanto corajoso, e deve alterar muito o modo pelo qual a maioria dos usuários do Facebook experimenta o serviço. Ele pode facilmente sair pela culatra, irritando usuários e talvez diminuindo o crescimento. E apesar de receber elogios entusiasmados, o primeiro produto do Creative Labs – o Paper, aplicativo para iPhone que permite navegar pelo feed de notícias do Facebook por meio de um sistema de gestos de toques – ganhou poucos usuários desde seu lançamento, em janeiro.

O plano de Zuckerberg não é exatamente uma surpresa. O Facebook há tempos oferece seus serviços em aplicativos separados; ele introduziu um aplicativo autônomo de mensagens de texto, o Messenger, em 2011. O novo plano deve acelerar essa iniciativa. Para usar todos os recursos do Facebook, pode ser preciso instalar diversos aplicativos – cada um priorizando uma única função, de navegar no feed de notícias a enviar mensagens e interagir com grupos.

Recentemente, a empresa começou a notificar os usuários de que logo exigiria a instalação do aplicativo Messenger autônomo para enviar mensagens via Facebook. Segundo Zuckerberg, a estratégia de múltiplos aplicativos pretende adaptar o Facebook à maneira como as pessoas utilizam seus celulares, que hoje correspondem ao grosso das visitas à rede social e da receita com publicidade. “Na mobilidade, o importante é criar experiências individuais de primeira categoria”, afirmou ele.

Como há pouco espaço na tela do aparelho celular, os aplicativos que promovem uma única função podem ter um design mais simples e intuitivo, aprimorando seu funcionamento. Aplicativos de função única também podem rodar mais rapidamente. Por exemplo, o Facebook descobriu que usuários recebendo mensagens respondem 20% mais rápido pelo Messenger do que pelo aplicativo primário do próprio Facebook.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave