Grafiteiros acusam autoridades de “sequestrar” arte

iG Minas Gerais | Liz Alderman The New York Times |

Cacao Rooks e Thisisopium fazem da arte uma forma de protesto
ANGELOS TZORTZINIS
Cacao Rooks e Thisisopium fazem da arte uma forma de protesto

Há pouco tempo, até mesmo as autoridades municipais também se envolveram com a cena, enquanto buscavam tirar proveito dos frutos mais artísticos do grafite concedendo permissões para encorajar os artistas de rua a pintar murais em espaços públicos arruinados.Atenas, Grécia

Em Metaxourgeio e Kerameikos, uma grande construtora, Oliaros, também está trabalhando para enobrecer as áreas, em parte dando espaço em prédios comerciais a muralistas escolhidos a dedo pela empresa.

Idealmente, partes de Atenas terminarão transformadas numa grande galeria a céu aberto, disse Amalia Zeppou, consultora do prefeito que ajuda a supervisionar o programa de licenças.

“Quando uma cidade quebra e é pichada em todo canto, temos a obrigação de dar um basta nisso”, declarou Zeppou. Porém, existe outra mensagem por trás da campanha. “Assim que o grafite vira arte encomendada, é um sinal do começo do fim da crise financeira ou social que a cidade tem enfrentado”.

Essa visão é rejeitada por muitos dos cerca de 2.000 grafiteiros de Atenas. Eles acreditam que as autoridades municipais e as construtoras estão encomendando obras como forma de silenciosamente suprimir a expressão artística social e política. Para essa turma, as autoridades estão sequestrando a arte das ruas para encobrir sua mensagem.

“Não se engane: o grafite é uma arma influente porque é muito visível”, disse Charitonas Tsamantakis, grafiteiro vestido de preto que vai publicar um livro, “História do Grafite Helênico”, até o final do ano. “As autoridades querem abraçá-lo para neutralizá-lo e controlá-lo. É uma maneira de quebrar nosso espírito”.

iNO, o muralista, disse que ainda havia espaço para passar mensagens sociais por meio de obras encomendadas. Há pouco tempo, ele pintou um grande mural a céu aberto para uma exposição no Centro Cultural Onassis, em Atenas, retratando o rosto de uma mulher num papel sendo esmagado por uma mão. “A mensagem é de que o homem se tornou um escravo de seus criadores”.

Nas ruas de Atenas, os grafiteiros de carteirinha também adotam temas elevados similares.

“Existe um monte de coisa ruim acontecendo na Grécia”, disse um antigo grafiteiro que atende pelo nome de Cacao Rocks. Ele lecionava literatura francesa até a crise ceifar seu emprego, dando-lhe tempo para rondar os muros de Atenas.

Ele e seu parceiro, o artista Thisisopium, usavam máscaras numa noite recente e pintaram uma só palavra grande num muro detonado, “Lafos” (errado).

“O sistema inteiro está funcionando do jeito errado. Estamos aqui para modificar as regras”.

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