Pela história do chocolate

México tem centenárias fazendas cacaueiras; Equador reserva o Tren de la Dulzura

iG Minas Gerais | Eduardo Maia |

O  Tren de la Dulzura, uma rota especial operada pelo charmoso Tren Cruzero, revela uma área tradicional na cultura do cacau.
TREN DE LA DOZURA/DIVULGAção
O Tren de la Dulzura, uma rota especial operada pelo charmoso Tren Cruzero, revela uma área tradicional na cultura do cacau.

O cacau surgiu na Amazônia, mas se tornou chocolate em algum lugar no sul do México. O caminho entre as duas pontas dessa história é bastante explorado em roteiros turísticos pela América Latina e em algumas ilhas do Caribe. Plantações de cacau, fazendas históricas, fábricas modernas, rituais pré-colombianos e oficinas para fazer o próprio chocolate viram programas de férias para chocólatras de todo o mundo e ajudam o visitante a conhecer melhor esses destinos.

Muitos pesquisadores apontam o Equador como o berço do cacau. Uma certeza é que o país produz hoje 65% do cacau fino de aroma, o mais usado na confecção de chocolates gourmet. A outra é que o ecoturismo que cerca a produção cacaueira no país também é de alto padrão, com uma estrutura que não se encontra entre seus vizinhos sul-americanos.

De Durán, cidade próxima de Guayaquil, parte o Tren de la Dulzura, uma rota especial operada pelo charmoso Tren Cruzero, que corta o país. O trecho mais “doce” dessa ferrovia vai até Bucay, cortando uma área tradicional na cultura do cacau. No povoado de Yaguahi, os visitantes podem conhecer a fazenda San Eduardo, uma das referências no cacau fino de aroma. No distrito de Milagro, a visita é à fazenda El Chaparral, onde os turistas podem produzir seu próprio chocolate, usando técnicas tradicionais.

A viagem, de ida e volta, dura dez horas. Quem optar por pernoitar em Bucay pode conhecer, ainda, a fazenda San Rafael, que combina a produção de cacau com equitação. E se o suvenir comestível não sobreviver à tentação, o visitante pode encontrar uma boa variedade de chocolates premium, tipo exportação, como o República del Cacao, em Quito, Guayaquil ou qualquer outra grande cidade do país.

México

Bom chocolate também não falta no México, o país que descobriu as propriedades sobrenaturais do produto amargo do doce cacau. O uso ritualístico do chocolate, em versão líquida e com acréscimo de ervas, sementes e pimentas (claro), começou no sul do país, com olmecas e maias, e se espalhou pelo território graças à expansão promovida pelos astecas.

Essa história é encenada no Ecomuseo del Cacao, na Ruta Puuc, entre as ruínas Xlapak y de Labná, no Estado de Yucatán. O museu fica na Plantación Tikul, uma fazenda de 300 ha que produz o cacau criollo, uma das espécies mais valorizadas do mundo. Guias em trajes típicos mostram a diferença do xocolatl pré-colombiano para o atual chocolate.

Na ilha de Cozumel, a fábrica Kaokao disputa a atenção com o mar do Caribe mexicano. Às margens do Golfo do México, a província de Tabasco tem a “ruta del cacao” com visitas a fazendas como de La Luz, Cholula e Génesis, conhecidas pelo chocolate orgânico. Outro uso tradicional do chocolate no México é o mole poblano, o molho escuro que acompanha pratos salgados, cuja criação se atribui à província de Puebla. O maior produtor do molho, no entanto, é o vilarejo de San Pedro Atocpan, perto da Cidade do México.

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