Pará no roteiro do cacau

O Estado, localizado na região amazônica, tem produção de cacau em igarapés

iG Minas Gerais | Eduardo Maia |

Artesanal:  Dona Nena colhe cacau em seu terreno, na ilha do Combu
Eduardo Maia/Agência O GLOBO
Artesanal: Dona Nena colhe cacau em seu terreno, na ilha do Combu

Escondida em um igarapé na ilha do Combu, uma das tantas de Belém do Pará, a casinha simples de dona Nena é o símbolo de um movimento que colocou o estado no mapa dos apreciadores do bom chocolate. Do meio da Amazônia, crescendo sob a sombra de pés de cupuaçu, açaí e outras plantas da região, o cacau paraense vem ganhando lugar nas mesas de chefs renomados e em fábricas ao redor do mundo. Segundo maior produtor do Brasil, o Pará vê surgir possibilidades de aliar a produção agrícola ao turismo, com novos passeios inspirados no chocolate.

Cerca de 100 mil toneladas de amêndoas de cacau foram colhidas no Pará em 2013, o que representa 32% da produção brasileira, atrás apenas da Bahia. Um percentual pequeno desse montante sai das áreas de várzea próximas a Belém, como a ilha do Combu. Mas é justamente o chocolate dessa região que anda servindo de chamariz para o “turismo cacaueiro”. Apenas 15 minutos de barco separam a praça Santa Isabel da casinha de Izete Costa, a dona Nena, estrela do chocolate artesanal no Estado, cujo produto, feito a partir de receitas de família, é usado por consagrados chefs como Roberta Sudbrack, Alex Atala e os irmãos Castanho, nomes de peso na gastronomia contemporânea do Pará.

Onda gastrô

A fábrica de Santa Bárbara é da marca Amazônia Cacau, que começou a produzir chocolate artesanal em Medicilândia, o maior município produtor de cacau do país, na Transamazônica, a 800 km da capital. A mudança para a região metropolitana de Belém deve atrair os visitantes, que poderão, sobre uma passarela, observar a produção no interior da fábrica.

A efervescente gastronomia de Belém, notabilizada pelo uso criativo de elementos regionais, também não poderia ficar alheia ao potencial do cacau do Estado. Descobridores de dona Nena, quando ela começou a vender seus chocolates nas feiras de orgânicos, os irmãos Thiago e Felipe Castanho criaram a sobremesa jardinagem de chocolate do Combu, que faz sucesso no badalado Remanso do Bosque.

Já os irmãos Fábio e Angela Sicilia, do italiano Famiglia Sicilia, produzem no restaurante o chocolate, de cacau comprado em Santa Bárbara, que vai nas sobremesas e em alguns pratos.  

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