Cultura andina nas mesas

Conheça locais para se apreciar a exótica culinária dos Andes, além de dicas de degustação de bebidas típicas

iG Minas Gerais | Cristina Massari |

A carne de cue ganha status e mais sabor no Cicciolina
Cristina Massari/Agência O Globo
A carne de cue ganha status e mais sabor no Cicciolina

A valorizada cozinha peruana tem seus representantes em Cusco. No Chicha, saboreiam-se as criações regionais do respeitado chef peruano Gastón Acurio. Virgilio Martinez, que vem ganhando posições em listas internacionais com seu imperdível restaurante Central, em Lima, e o também elogiado (e o primeiro peruano a receber uma estrela Michelin) Lima, em Londres, serve em Cusco as mesas do Senzo, o restaurante do hotel Palácio Nazarenas, aberto em junho de 2012, e um dos empreendimentos com marca Belmond (Orient-Express) na região (eles também operam o hotel no parque de Machu Picchu).

O pão de maiz (milho roxo) com girassol, envolto por um cracker com anel de saturno levemente adocicado, vem acompanhado de sal marinho e cacau em pó. Os tiraditos de truchas (que se parecem com o salmão) com leche de tigre (molho ácido, a base do ceviche) valem a pena, assim como a carne de alpaca, suave, temperada com sal marinho e alecrim, grelhada na pedra, ao ponto. O menu-degustação do Senzo custa cerca de R$ 180.

Cusco

“Em Cusco tenho usado produtos locais, sem a obrigação de fazer comida da costa”, diz Virgilio. O Cicciolina conquista fãs com ambiente descontraído e tapas com sabores peruanos: carne de cuy (desfiada, macia, bem-temperada), saladas. Para referências mais universais (ou europeias), o teatral La Divina Comedia faz menções à obra de Dante na decoração. Tem música ambiente e cardápio gourmet opera, com toque europeu aqui, regional ali, em pratos como presunto

serrano ou ceviche de entrada, ravioli de camotes (a deliciosa batata-doce andina, com a cor da abóbora). E o Le Soleil traz os sabores (e vinhos) da França para os Andes. Com um enorme painel da ponte Alexandre III decorando o salão, tem menu elaborado pelo famoso chef Cristian Ramírez, de Lima, que fez aulas com Thierry Marx (do Sur Mesure, duas estrelas Michelin no Mandarin Oriental de Paris).

Em tempo de saborear a sobremesa, qualquer opção com chirimoya costuma ser sempre uma ótima pedida, em praticamente todos os restaurantes. Os chefs gostam de exibi-la em texturas e preparos diferentes, às vezes no mesmo prato: como musse ou fresca, acompanhada de doce de leite suave (no caso do Senzo), ou de um delicado flan (servido no Tambo del Inka), em Urubamba, no Vale Sagrado. Até o francês 100% bleu blanc rouge se rende à deliciosa frutinha andina, com sabor que lembra a pinha, mas com textura e maciez únicos.

Entre uma refeição e outra passeia-se pelas belas ruas de Cusco. Competindo com os sítios arqueológicos, a colonização espanhola espalhou sua grandiosidade pela antiga capital do império inca.

Praça de Armas Na praça de Armas, a Catedral e o Templo da Companhia de Jesus são pontos principais. Na caminhada até o Mercado Central, a igreja de São Francisco (do século XVII) e o Colégio Nacional de Ciências e Artes de Cusco, fundado por Simón Bolívar, no século XIX, com suas escadarias repletas de estudantes, chamam a atenção. As construções imponentes contrastam com as ruas estreitas de pedra – traçadas pelos incas – que as cercam. Portinhas de madeira coloridas se abrem para lojinhas de suvenires, farmácias e comércio típico.

San Blass

Esse é o nome do bairro que reúne artistas e boêmia, com ateliês e lojas abertos aos visitantes. Vale espiar as peças do Olave, considerado grande mestre do artesanato peruano, e até levar para casa peças de cerâmica com motivos incas e pré-incaicos. Na oficina de Hilario Mendivil, estão as figuras bem-humoradas que representam colonizadores espanhóis e religiosos com pescoços compridos, como os das alpacas. Dentro do ateliê, murais pintados no pátio ilustram tradição locais como as chicherias.

Merida, com esculturas em madeira de feições campesinas, é outra parada nesse roteiro. Na mesma praça fica o restaurante Pachapapa, que apresenta excelentes opções da típica comida andina.

Museu e arte

O Museu de Arte Pré-Colombiana tem rico acervo incaico e pré-incaico, desde 1.250 a.C., enquanto seu restaurante serve pratos exóticos feitos de cabeça de porco, com vinagrete de cogumelos de Cusco.

Sedutoras bebidas locais: pisco, chinca e cusqueña

Em Cusco, você pode pedir uma cerveja Cusqueña, ou uma chicha morada (com ou sem álcool feito de milho roxo), para acompanhar as refeições. E à noite no Museo del Pisco, aberto em 2012, perto da praça de Armas, poderá experimentar diferentes tipos da bebida, numa variedade incrível de drinques, além do pisco sour. O ambiente é animado, com música ao vivo e decoração com referências à história peruana. Sobre o pisco, o gerente do bar Sergio Carrillo dá uma aula: “A bebida é feita de uvas em variedades aromáticas ou não aromáticas”. Os drinques, coloridos, custam entre 18 e 20 novos soles. A degustação de pisco sai por 35 novos soles (cerca de R$ 28).

Holofotes

Se a gastronomia peruana hoje complementa a oferta turística do Peru, que tem em Machu Picchu seu maior ícone, o país também deve agradecer à famosa região do Vale Sagrado.

Nas terras férteis cercadas pelas montanhas dos Andes, onde blocos massivos de terra são cobertos por vegetação, crescem batatas, milhos, ervas e até animais, matéria-prima que inspira a criatividade de chefs como Gastón Acurio e Virgilio Gonzalez, que vêm conquistando paladares ao redor do mundo.

Cusco, antiga capital do império inca, está no centro dos holofotes nessa região. Dentre os hotéis que recentemente reforçam a oferta de hospedagem de luxo estão Aranwa, Marriott, Palazio Nazarenos e Palacio del Inka – esse último aberto em agosto pela Starwood, com o selo Luxury Collection, após renovação de US$ 15 milhões. E, se a hotelaria ganhou um upgrade em Cusco, a gastronomia não fica atrás.

Os mesmos chefs que deram notoriedade aos cardápios de Lima ocupam suas mesas também nas belas ruas históricas de Cusco. Os produtos das montanhas são a base dos pratos. Os frutos do mar saem de cena para dar lugar às trutas, ao lado das carnes de cerdo, cuy e alpaca. 

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