Cerveja rígida e com sabor

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Desde o século XVI, a cerveja alemã é produzida com uma fórmula rígida que só permite utilizar lúpulo, malte, água e cevada
Mariela Guimarães
Desde o século XVI, a cerveja alemã é produzida com uma fórmula rígida que só permite utilizar lúpulo, malte, água e cevada

Se no Brasil existe o hábito de se tomar cerveja pilsen muito gelada, na Europa a bebida tem variações de sabor com temperaturas quase naturais para harmonizar com o prato escolhido. Um conceito que vai muito além da nossa combinação de cachaça com torresmo.

Na Alemanha, a Lei Reinheitsgebot, ou Lei da Pureza da Cerveja, estabeleceu em 1517 que a cerveja alemã só poderia ser fabricada com lúpulo, água e malte de cevada – ficando proibido o acréscimo de qualquer outro ingrediente. Até hoje o país segue a norma rígida imposta pelo duque Guilherme IV, que na época tentava frear a fabricação de cerveja com ingredientes que, segundo ele, não combinavam com a bebida, como frutas e mel.

Apesar disso, centenas de fábricas de cerveja artesanais se espalharam pelo país, criando um consumo praticamente familiar da bebida – em toda a Alemanha são produzidos quase 5.000 rótulos diferentes, mesmo com as limitações de ingredientes para fabricar a bebida.

O sommelier de cervejas Arthur Matoso explica que os alemães gostam de harmonizar seus pratos com alguma cerveja de trigo nacional, como as conhecidas Erdinger e HB Original, que carregam o título de maiores cervejarias de trigo do mundo, exportando rótulos para mais de 30 países. “Como a fórmula da cerveja é limitada, os alemães exploram variações do lúpulo, do trigo, a forma de cultivo da cevada etc. É um trabalho minucioso para buscar sabores, diante das limitações que eles têm por lá”, esclarece o sommelier.

HARMONIZAÇÃO

Segundo ele, existem duas formas de se harmonizar qualquer tipo de cerveja com uma comida específica. A primeira é pela semelhança entre gostos. “Pode-se comer, por exemplo, petit gateau com uma cerveja inglesa doce. No geral, é o que parte dos europeus fazem: procurar o gosto similar para não ter surpresas no paladar”, diz.

Porém, o processo inverso também pode ser testado para conseguir combinações de sabor mais distintas. “Os belgas têm uma espécie de Disneylândia da cerveja, a maior variedade do mundo. Eles combinam bastante uma cerveja amarga com uma sobremesa de doce acentuado. É tudo uma questão de fazer o teste e conseguir agradar o paladar”, diz.

Para os pratos mais comuns entre os alemães – carne suína e salsichas com chucrute – os rótulos Maisel's Weisse e Benediktiner, ambas leves ao paladar e com aroma frutado, são boas pedidas encontradas nas casas de culinária alemã na capital.

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