Por haitianos, Planalto vai intervir na crise entre SP e AC

Governadores são chamados a Brasília para resolver divergências

iG Minas Gerais |

Perdidos. Os haitianos que vieram do Acre para São Paulo deixaram seu país após terremoto
Laura Daudén/ Conectas.org - 29.4.2014
Perdidos. Os haitianos que vieram do Acre para São Paulo deixaram seu país após terremoto

BRASÍLIA. O governo federal decidiu intervir na recente tensão criada entre Acre e São Paulo por causa dos haitianos que deixaram o Estado do Norte em direção ao Sudeste.  

O Planalto vai se reunir com os governadores do Acre, Tião Viana (PT), e de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), além do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), na semana que vem, para que seja acertada uma política conjunta para atendimento aos haitianos que estão entrando no Brasil.

As reuniões do Acre e São Paulo serão separadas. Depois de reunião no Palácio do Planalto, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou que o governo brasileiro quer “estimular a entrada regular de haitianos com visto no Brasil”.

Para isso, para isso, uma ampla campanha será feita no Haiti, a fim de esclarecer a vantagem da imigração para o país pelos meios legais, para que possa ser beneficiado por políticas de apoio a imigrantes. Cardozo não disse que políticas seriam essas, mas negou que essas pessoas possam ter acesso, por exemplo, ao Bolsa Família. O ministro da Justiça afirmou que os haitianos poderão ter “assistência social em geral”.

Os números disponíveis no governo apontam que mais de 21 mil haitianos entraram legalmente no país entre 2010, quando houve o terremoto que matou mais de 300 mil pessoas no Haiti, e 2013. A maior parte destes haitianos chegou ao Brasil pela fronteira do Acre, depois de cruzar o Equador e o Peru. No Acre, os haitianos receberam documentos e abrigo na cidade de Brasileia. Só que, depois, centenas deles seguiram para São Paulo, em busca de oportunidades.

Travou-se, então, uma batalha política entre os governos do Acre e de São Paulo, com o segundo acusando o primeiro de estar repassando o problema para o seu estado e cidade. Os petistas Tião Viana e Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, começaram a discutir pela imprensa.

“Tenho que ter unidades que recebam esses haitianos para que eu possa focar em políticas de inserção. Nós temos muitas empresas que querem contar com a mão de obra e na medida que isso fica disperso, que eu não tenho centros e unidades que os recebam eu não tiro carteira de trabalho para ele eu não o insiro em políticas que possam efetivamente contribuir para isso”, declarou Cardozo.

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