Tecido de porcos regenera lesão muscular grave em teste

Procedimento é estimulado por atividade intensa através de fisioterapia reforçada

iG Minas Gerais | Da redação |

Bexiga de porco. O dr. Stephen Badylak, da Universidade de Pittsburgh, estuda a regeneração muscular humana com células do animal
University of Pittsburgh Medical Center
Bexiga de porco. O dr. Stephen Badylak, da Universidade de Pittsburgh, estuda a regeneração muscular humana com células do animal

Uma nova técnica para regeneração de tecido muscular devolveu parte dos movimentos a cinco voluntários que se submeteram ao implante de um material derivado da bexiga de porcos.  

A “matriz extracelular” do tecido daquele órgão foi capaz de restaurar até 20% de músculos da perna de pacientes que haviam perdido entre 60% e 90% do volume.

Financiado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e conduzido por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, o projeto teve seu sucesso inicial relatado em estudo na edição de amanhã da revista “Science Translational Medicine”.

Três dos pacientes tratados com a nova técnica eram militares, dois deles tendo sofrido acidentes com bombas e o outro vítima de lesão por exercício.Os outros dois sofreram acidentes de esqui.

Qualificaram-se para o teste clínico apenas pacientes que já haviam passado por um período de regeneração natural com fisioterapia, mas que não conseguiam progredir mais em suas avaliações.

Preenchendo lacunas

A “matriz extracelular” usada como enxerto era basicamente feita com retalhos de bexiga do porco, com colágeno e outras proteínas, mas sem as células em si, que poderiam ser rejeitadas no transplante.

O material já havia sido usado em cirurgias para curar hérnia abdominal e reconstrução de seios, mas só agora foi testado para a regeneração muscular.

Moldadas para se encaixar nas lesões, as matrizes foram implantadas cirurgicamente nos pacientes após a extração da parte cicatrizada do músculo. Depois, eles foram submetidos a um programa intenso de fisioterapia.

O mecanismo de ação da nova técnica tem relação com células-tronco – aquelas que têm potencial para se transformar noutras células – circulando livremente em pequenas quantidades no sangue, afirmam os cientistas.

A matriz extracelular que preenche a lesão do músculo começa a se decompor após ser implantada, e isso atrai células-tronco para preencher a lacuna que vai sendo deixada novamente.

Estimuladas pela atividade intensa do músculo submetido a fisioterapia, elas se transformam em células musculares e começa a recompor o feixe de músculo afetado.

Um dos pontos cruciais da nova técnica, dizem os autores, é eliminar o tecido de cicatrização que se forma em torno do músculo lesionado. “A abordagem que adotamos é direcionada à utilização em qualquer lugar em que exista boa cirurgia”, disse Stephen Badylak, cientista líder do grupo que criou a nova técnica, em entrevista coletiva. “Não é o tipo de coisa para ficar restrita a instalações universitárias”, afirmou.

Vídeos com imagens dos voluntários mostram a melhora em movimentos básicos como pular, agachar e equilibrar o corpo.

Segundo o cientista, os pacientes haviam sofrido suas lesões muito antes de passar pelo novo procedimento. Isso foi necessário para provar que a técnica funciona além da regeneração natural.

A ideia no futuro, diz, é operar vítimas de lesões recentes para tentar obter um prognóstico ainda melhor.

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