Sanduíches do mundo todo

iG Minas Gerais |

FABIANO BARROSO
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O que há em comum entre o consumidor de Amsterdã, de Belo Horizonte e de Itacarambi? O direito à qualidade. E esse direito é perfeitamente compatível com os limites econômicos e populacionais, bem como com a diversidade cultural que fazem desses três centros urbanos realidades tão distintas. Na mesma semana, comi sanduíches no Eddie’s Fine Burgers da Savassi, e no quiosque da praça das Águas, junto ao cais de Itacarambi. Cada qual ao seu modo, gostoso e bem feito. Pão decente, nem sal nem gordura em excesso, ingredientes sofisticados ali, simples aqui, mas trabalhados com critério e bom gosto. Digo isso com a ressalva de que algumas opções do agrado popular, em matéria de sanduíche, significam misturas impressionantes. Isso vale para a pizza também. Dia desses, vi no cardápio uma com 27 ingredientes! Difícil de acreditar, né? O sanduba de BH fazia-se acompanhar de rodelas fritas de cebola, as inesquecíveis onion rings, crocantes, sequinhas e molho com ervas ignoradas no interior de Minas. O de Itacarambi, saboroso e prosaico, com bife de hambúrguer e rodelinhas de linguiça calabresa dignas e bem tratadas. A carne não era picanha, claro, mas o moço picou com boa vontade a cebola crua que eu pedi. Saciei a fome noturna, feliz da vida. Na capital, gastei R$ 35. No interior, apenas R$ 6. Em ambas as praças, saí com a sensação de haver pago o preço justo. O mercado tem muitas imperfeições, mas também oferece boa dose de sabedoria. O comerciante inteligente sabe tatear as possibilidades que o rodeiam, farejar as oportunidades existentes a seu redor, comprar o que terá saída. Do contrário, não vai festejar um ano de vida à frente do seu negócio. Lembrei com saudade do black angus beef da OudeHoogstraat 2, em Amsterdã, onde fica o GrillbarBurgerzaken. Lá a beleza é loira, os pescoços ornados de felpudos cachecóis e os bolsos recheados de dinheiro para pagar 33 euros, ou R$ 100, numa refeição de casal, à base de sanduíche e batata frita. Aqui, a beleza é morena, brejeira e eriça os pelos quando o termômetro fica abaixo dos 25 graus. E um churrasquinho de carne bovina, entremeado com um naco de gordura delicioso custa duas pratas. Lá, cá e alhures, os olhos vasculham a misteriosa entranha do sanduba, adivinhando a gostosura de cada parte do recheio. As mãos seguram o pão com a mesma ânsia de que nada se perca no saquinho ou no chão. Apenas a maionese e o ‘quetechupe’ destoam dessa harmoniosa evocação. E eu fico me perguntando onde anda o controle de qualidade industrial do país, nessa matéria. Definitivamente, não anda! De minha parte, acho que vou carregar os meus próprios molhos e o azeite também, porque o que se encontra nas mesas das periferias e cidadezinhas, país afora, é intragável mistura de óleos de soja e oliva.

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