Uma Cinderela no sertão das Minas Gerais

Dedicada às crianças, “A Borralheira, Uma Opereta Brasileira” transpõe obra original para cultura popular

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Com figurinos e cenários suntuosos também são destaque de “A Borralheira, uma opereta brasileira”
João Júlio
Com figurinos e cenários suntuosos também são destaque de “A Borralheira, uma opereta brasileira”

Dos musicais, o público geralmente espera qualidades relacionadas à música em primeiro lugar e somente depois se põe a reparar a encenação e a qualidade dos atores. Em miúdos, o espectador leigo espera ver bons cantores em cena. Mas não é o caso da peça “A Borralheira, Uma Opereta Brasileira”, que chega ao Cine Theatro Brasil, para apresentações somente neste fim de semana.

“Trabalhamos com a máscara balinesa primeiro para entender essa plenitude do corpo do ator. E centramos o olhar sobre o jogo do ator, a criação do personagem ”, destaca a diretora Fabianna de Mello Souza.

O espetáculo é uma adaptação para crianças da famosa ópera cômica italiana “Cinderela ou O Triunfo da Bondade”. Sucesso de público e de críticas, “A Borralheira”. que estreou no Rio de Janeiro, recebeu sete indicações ao Prêmio Zilka Sallaberry 2012.

Sua concepção artística transpõe a obra original para o contexto da cultura popular brasileira. De Salerno, Itália, a história é adaptada para uma cidade fictícia do sertão de Minas Gerais. A ambientação mineira tem como propósito trazer à cena uma atmosfera onírica operística popular enquanto a melodia de Rossini, grande mestre na arte de emocionar, guia o especador para as mais densas emoções.

“A opereta tem uma linguagem popular, muita direta com a plateia. Existe essa brincadeira imaginária de situar a peça em algum lugar em Minas Gerais. É um jogo do qual a plateia participa”, destaca.

Sobre a escolha de recortar e adaptar a peça para os pequenos, a diretora crê que isso não restrinja a obra a apenas um público. “É um espetáculo abrangente, poderíamos fazer em qualquer horário. Como qualquer bom teatro, ele vai interessar a todos”, se gaba a Fabianna.

O elenco é composto por sete atores-cantores, que interpretam as personagens principais, e sete atores-cantores-músicos, que fazem as vezes do coro. “Foi um processo muito colaborativo. Trabalhamos, por quatro meses, como uma trupe”, destaca a diretora.

O cenário e os figurinos inspirados na Europa do final do século XVIII e começo do XIX, mas trazidos para o Brasil no estilo do barroco mineiro e do rococó, trazem à baila a mesma qualidade das grandes e luxuosas produções operísticas. Os cenários, traçados como se fossem croquis, são retratados como desenhos, pinturas e esculturas inspirados nas obras de Mestre Ataíde e de Aleijadinho. “É uma produção grandiosa e muito cuidadosa. Estamos muito felizes porque vamos começar nossa turnê nacional justamente em Minas Gerais, onde a peça se situa”, comemora a diretora

Novidade. Tão vasto quanto o espectro que o teatro oferece é a carreira da atriz e diretora Fabianna Mello e Souza, que, pela primeira vez, assina a direção de um espetáculo de gênero musical. “Eu sempre me dediquei ao teatro físico, técnicas de máscara e, de repente, fui convidada para dirigir esse espetáculo”, relembra ela.

Ela garante que a “surpresa” de se envolver na produção de um espetáculo musical foi positiva. “O musical não é um estilo que me interessa à priori, foi uma quebra de paradigma. É uma porta que se abre. Antes eu não sabia nem o que era (a nota) dó. Hoje, posso considerar o musical como uma possibilidade de trabalho. Então, assisto mais óperas, faço aulas de canto”, revela.

A artista, durante dez anos, fez parte do histórico Théâtre du Soleil, comandado há quase meio século pela diretora Ariane Mnouchkinei. “Estava adaptada na França. Mas eu queria voltar ao Brasil, porque queria subir no palco e falar português. Queria tocar os meus projetos aqui”, destaca.

Serviço. “A Borralheira, Uma Opereta Brasileira”. Neste sábado e domingo, às 19h, no Cine Theatro Brasil (rua dos Carijós, 258, centro). R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

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