A jornada do herói solitário no Japão feudal

Um dos maiores exemplares do gênero, a “Trilogia Samurai” será exibida desta sexta a 11 de maio no Sesc Palladium

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

Parceiro de Kurosawa, Toshiro Mifune se tornou o protótipo do samurai
Sesc Palladium
Parceiro de Kurosawa, Toshiro Mifune se tornou o protótipo do samurai

Influência nas obras de Akira Kurosawa e Quentin Tarantino, as adaptações do clássico livro “Musashi” pelo diretor Hiroshi Inagaki não ganharam o título de “Trilogia Samurai” por acaso. Os três filmes estabeleceram uma referência para o gênero, venceram um Oscar e serão exibidos desta sexta até o domingo, dia 11, no Sesc Palladium (veja programação na página 8).

Popular no mundo inteiro, o romance escrito por Eiji Oshikawa foi publicado de forma seriada entre 1935 e 1939. O autor estudou registros históricos e se baseou nos próprios escritos de Musashi Miyamoto para contar a história desse que foi um dos maiores heróis da cultura popular japonesa.

A trilogia, que começa com “Samurai: o Guerreiro Dominante”,de 1954, acompanha o protagonista desde sua adolescência, quando ele abandona sua vila, até seu auge como samurai, ao derrotar o inimigo Kojiro Sasaki aos 29 anos, no longa “Duelo na Ilha Ganryujima”, de 1956. “Morte no Templo Ichijoji”, de 1955, completa a saga.

Nos filmes, Musashi é vivido por Toshiro Mifune, um astro na época, conhecido por sua parceria com Kurosawa em longas como “Rashomon” e “Os Sete Samurais”. O papel do guerreiro em busca de sabedoria e disciplina espiritual marcaria o ator de tal maneira que o próprio Kurosawa exploraria a persona em “Yojimbo – O Guarda-costas”, de 1961, um dos 16 longas que os dois fizeram juntos.

Já Inagaki é considerado um dos inventores do filme de samurai moderno. Começando como ator no cinema mudo, o cineasta é creditado como um dos responsáveis pela introdução de performances mais naturalistas nesses longas, além de uma fotografia e montagem mais fluidos, conseguindo ao mesmo tempo preservar a coreografia e a dança advindas do teatro kabuki nas lutas de espada.

Especialista no gênero, a própria trilogia de 1954-56 é um remake de três filmes que Inagaki havia feito entre 1940 e 1942. Musashi apareceu em outros de seus filmes, assim como personagens de outras obras estão na trilogia, construindo um enorme mosaico do Japão Feudal.

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