A veia poética e cultural de Diovani Mendonça

Artista cresceu na cidade e, ainda na infância, descobriu sua paixão pelas letras ao conhecer uma adaptação da obra de Dom Quixote assinada por Monteiro Lobato

iG Minas Gerais |

Atualmente, aos 50 anos de idade, ele vive e trabalha em Esmeraldas, rodeado pelo verde da natureza e por seus animais de estimação, em um sítio que ele batizou de “Ninho das Pedras” – onde recebe grandes amigos e até artistas renomados, como o poeta cubano Félix Contreras. Mas foi em Contagem que Diovani Mendonça cresceu e sentiu o pulsar da sua veia poética pela primeira vez. Talvez pelo nome você não saiba exatamente de quem estamos falando, mas, com certeza, ouviu falar ou teve o prazer de conhecer o projeto lançado por ele – intitulado “Pão e Poesia”, que teve início em 2008. A iniciativa consistia em imprimir poesias em saquinhos de pães que seriam vendidos na região.

A ideia foi tão bem-aceita que conseguiu despertar o interesse de alunos de mais de 20 escolas públicas pela literatura. Com oficinas dedicadas à promoção da poesia, os estudantes eram estimulados a ler e produzir poemas de cunho livre. Atualmente, o projeto não está realizando novas oficinas. Porém, os saquinhos de pão produzidos pelos alunos da última edição ainda estão em circulação.

Infância

“Minha mãe conta que sabe o horário exato em que nasci porque durante o parto ela ouviu tocar Ave Maria em um antigo programa de rádio que se chamava a Hora do Angelus”, recorda. Essa é apenas uma das suas memórias da infância. Quando criança ele acompanhava a mãe durante toda a tarde, na escola em que ela trabalhava. Num belo dia ele encontrou um livro deixado na biblioteca, e a curiosidade falou mais alto: se tratava de uma adaptação de Dom Quixote feita por Monteiro Lobato. E foi a partir daí que ele começou a se interessar pela leitura.

No entanto, mesmo apaixonado por literatura, ele acabou abandonando os estudos após sofrer bullying e ser maltratado por uma professora. “Estudava no Helena Guerra e parei meus estudos na 7ª série. Tive uma professora de matemática que me chamava de burro e me mandava sentar toda vez. Por nervosismo e medo não dava conta de fazer os exercícios propostos por ela”, recorda.

Embora a situação tenha marcado sua história, ele conseguiu superar o trauma e, por meio do Pão e Poesia, distribuiu gratuitamente mais de um milhão de saquinhos por padarias da região, disseminando assim seu talento e proporcionando cultura à população.

Como tudo aconteceu

Na primeira edição, eram versos de poetas de renome e desenhos de artistas plásticos homenageados que estampavam os saquinhos. “Também inclui a seleção de alguns poemas que foram enviados pelas pessoas. Inicialmente foram feitas 300 mil embalagens, todas produzidas na base da colaboração”, conta.

Porém, um ano depois, ele conseguiu uma verba de incentivo à cultura – quando conquistou o primeiro lugar no em um concurso. Não demorou muito, e o Ministério da Cultura também reconheceu a iniciativa e lhe concedeu o título de Selo Cultura Viva.

Ao exibir o projeto nas escolas da região, surgiu a oportunidade de promover oficinas de literatura com os estudantes, passando a estampar a produção feita por eles nos saquinhos de pão. A ideia era levar a poesia até as pessoas de uma forma mais ampla. “O que eu queria mesmo era fazer com que esses alunos conseguissem ‘pensar fora da caixinha’”, ressalta.

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