‘O que prefeito faz é uma covardia’, diz usuário

Estrutura precária, falta de remédios, internações desnecessárias e longas filas, além de servidores em greve e prioridade para amigos, complicam sistema de saúde local

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

Valdemar Batista reivindica remédios para pacientes renais
Moisés Silva
Valdemar Batista reivindica remédios para pacientes renais

A ex-prefeita MDC (PT) não se reelegeu devido, principalmente, ao caos no setor de saúde. A melhoria do sistema era uma de suas principais promessas durante a campanha de 2008, porém, ao assumir a prefeitura, em 2009, o atendimento piorou. Porém, já na gestão dos C4, grupo formado pelo prefeito Carlaile e seus irmãos Ciro, Cleide e Cleanto Pedrosa, após um ano e cinco meses, a saúde continua mergulhada em uma gestão caótica, marcada pelo descontrole e por medidas injustificadas.

A situação é denunciada por muitos funcionários e usuários. “O que o prefeito está fazendo é uma covardia. Doar R$ 8 milhões para uma empresa privada (caso Unimed) e fornecer remédios para ricos, como é o caso do amigo dele, Carlos Abdalla, é covardia absoluta com os pobres”. O desabafo partiu do presidente da Associação dos Pacientes Renais, Doadores e Transplantados de Betim (Asprebe), Valdemar Batista.

Com 40 anos de tratamento intensivo, ele já havia denunciado, na semana passada, a precariedade do setor de hemodiálise do Hospital Regional de Betim, que mantém pacientes renais internados até quatro meses para suprir a deficiência de medicamentos.

Dois remédios que os pacientes têm dificuldades de conseguir é o fármaco Noriporo, que auxilia na manutenção de níveis de ferro no sangue, e o Cloridrato de Cinacalcete, que controla hormônio secretado pela tireoide.

“O Noriporo é fornecido pela Secretaria de Estado de Saúde, mas a gente passa por processo muito burocrático para consegui-lo. Se for para comprar na farmácia, cada caixa, com apenas seis ampolas, custa R$ 70. Em 2013, fizemos um acordo com o município para que esse remédio atendesse a pelo menos 150 dos 210 pacientes cadastrados para hemodiálise no hospital, mas, depois dos primeiros 30 dias, o fornecimento foi suspenso. Esse medicamento existe na farmácia do hospital, e, cada ampola, custa para a prefeitura R$ 7, mas nem isso altera a precariedade de atendimento. Já o frasco do Cloridrato de Cinacalcete chega a custar R$ 800 e, só o conseguimos, através de pedido judicial, depois de muita luta”, disse Valdemar Batista.

Na semana passada, a reportagem já havia denunciado que, devido precariedade da infraestrutura e a falta de medicamentos no setor de hemodiálise, muitos pacientes têm que permanecer internados na unidade de saúde, ocupando leitos hospitalares que poderiam servir para atender outros usuários. Valdemar ainda se declarou revoltado com a entrevista concedida pelo secretário de Saúde, Mauro Reis, que declarou que “o atendimento do SUS é universal e que não faz distinção entre ricos e pobres”. “Na prática, o que estamos vendo não é isso. O ex-secretário de Educação, que têm dinheiro para comprar qualquer medicamento sem recorrer ao sistema público, ganha remédios, mas nós, pessoas carentes, ficamos nesse sofrimento, sem atenção alguma. A prefeitura poderia se entender com o Estado e aliviar o problema dos pacientes renais de nossa cidade”, disse.

A Secretaria de Saúde não se manifestou sobre as denúncias que atingem o setor de hemodiálise. O prefeito Carlaile Pedrosa, mais uma vez, não quis dar entrevista.

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