Dilma vai com ou sem a base

Presidente minimizou pressão por “Volta, Lula” e disse que sua preocupação é governar o país

iG Minas Gerais |

Vistoria. A presidente Dilma Rousseff participou da entrega de 1.500l residências do programa Minha Casa, Minha Vida em Camaçari (BA)
LÚCIO TÁVORA/ESTADÃO CONTEÚDO
Vistoria. A presidente Dilma Rousseff participou da entrega de 1.500l residências do programa Minha Casa, Minha Vida em Camaçari (BA)

SALVADOR. Diante da pressão de aliados para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispute a eleição deste ano, a presidente Dilma Rousseff afirmou nessa quarta que vai “tocar em frente” sua candidatura pela reeleição mesmo sem o apoio dos partidos governistas. E disse que não irá se importar com as manifestações do “Volta, Lula”.  

“Gostaria muito que, quando eu for candidata, eu tenho o apoio da minha base, da minha própria base. Agora, não havendo esse apoio, a gente vai tocar em frente”, disse a presidente, dias após parte da bancada do PR, partido da base do governo, ter pedido a substituição de Dilma por Lula.

Questionada sobre a pressão de parte da base governista, Dilma afirmou que sua preocupação é “governar o país”. “Sempre, por trás de todas as coisas, existem outras explicações. Não vou me importar com isso (a crise com a base aliada). Daqui até o fim do ano, tenho uma atividade importante para fazer. Não posso me desligar nem um pouco dela: é governar este país”, ressaltou a presidente.

A cúpula da campanha dilmista espera que o Encontro Nacional do PT, que será realizado nesta sexta, crie fato político para espantar o “Volta, Lula”, movimento que conta com apoio de políticos de partidos aliados e empresários.

Economia. Mais tarde, durante a entrega de 1.500 residências do programa Minha Casa, Minha Vida, em Camaçari (BA), a presidente disse que até recentemente, quando havia distúrbios na economia internacional, quem “pagava o pato das crises” era o povo brasileiro.

“Sempre que houve problema no mercado internacional, com qualquer economia desenvolvida, países que não tinham crise e que não produziram crise eram atingidos”, afirmou.

De acordo com a presidente, os países serem atingidos pelas crises é compreensível. “O que não entendemos é que quem pagava o pato da crise era o povo. Os ricos não pagavam porque vinham com soluções e medidas impopulares, que diminuíam o salário e o emprego. Mas conosco, não. Como diz o povo do meu Estado, comigo não, violão”, afirmou a petista.

Ainda de acordo com Dilma, o Brasil tem a menor taxa de desemprego da história e a renda cresceu 70% nos últimos anos. “Pinta-se a realidade com cores negras para aproveitar das circunstâncias. Não vamos permitir que nosso povo passe por arrochos salariais”, prometeu a presidente.

Sobre a inflação, a presidente explicou que ela pode subir por conta de choque de alimentos, mas que em seguida cai. “A inflação de alimentos sobe e depois passa”, tranquilizou a presidente.

Segurança Repúdio. Dilma criticou a realização de greves por forças policiais. “Não podemos tolerar que qualquer grupo faça greves que permitam a morte de pessoas. Isso é inadmissível”.

Praticidade Negativa. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, rechaçou a movimentação que se espalhou em alguns partidos, inclusive o PT, pedindo a volta do ex- presidente Lula. Visão. “O sentimento do ‘Volta, Lula’ é um sentimento que tem uma base real, porém minoritária porque esta é uma discussão de estratégia política”, disse o ministro.

 

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