PBH quer restringir muros

Moradores estão receosos com propostas feitas por prefeitura em conferência de política urbana

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Contrastes. Residências como as da esquerda seriam permitidas
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Contrastes. Residências como as da esquerda seriam permitidas

Em um quarteirão da rua Formosa, no bairro Santa Tereza, na região Leste da capital, são cercados por muros apenas sete dos 23 imóveis. Para preservar o charme do bairro e valorizar esse tipo de paisagem, a prefeitura quer que todas as residências de um dos bairros mais antigos e bucólicos de Belo Horizonte tenham apenas grades, vidros ou outro tipo de fachada que não prejudiquem a visibilidade interior. A alteração foi apresentada na IV Conferência Municipal de Política Urbana, em andamento.

Polêmica, a proposta divide os moradores. Alguns concordam que deixar jardins e varandas expostos, com apenas grades na frente das casas pequenas e antigas, preserva a característica do local. Já outros afirmam que o Santa Tereza está cada dia mais violento e defendem que a proteção com muros é mais importante que a beleza. A alteração prevê muros com no máximo 80 cm. Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano não informou se a mudança teria que ser feita nas atuais edificações ou valeria apenas para construções futuras. A arquiteta e urbanista Karine Carneiro, do movimento de moradores Salve Santa Tereza, admite que a questão é polêmica, mas é a favor da priorização das grades. “Se os atuais moradores tiverem que mudar, seria um problema porque implica custos. Mas manter as grades no bairro, além de preservar a paisagem, traz mais segurança. Uma rua cheia de muros deixa os pedestres inseguros, e ninguém vê o que acontece dentro das casas.” Nascido e criado no bairro, o aposentado Rodrigo César Brito, 63, concorda. “Santa Tereza já perdeu muito de seu charme com os prédios. Colocar muros só vai esconder as casas bonitas, sem trazer segurança.” Segurança. Apesar de grande parte das casas manter as grades, devido ao medo da violência, muitos moradores já instalaram cerca elétrica, arame farpado e câmeras de segurança nos imóveis. Para a funcionária pública Renata Braga, 42, o próximo passo pode ser colocar muros. “Se não há segurança mais, é complicado a prefeitura querer proibir isso. Fui assaltada no fim do ano passado e coloquei câmera na minha casa. Não descarto colocar muro.” Mesmo de frente a um batalhão da Polícia Militar, na rua Tenente Durval, pelo menos cinco casas possuem muros. Em uma delas mora, há mais de 60 anos, a aposentada Julieta Lages, 78. “Colocamos o muro quando a casa foi assaltada. Mas não me sinto segura. Uma vez estava conversando na porta de casa, como antigamente, e um homem tentou entrar.” A reportagem tentou entrar em contato com os comandantes da corporação para comentar o assunto, mas não obteve retorno.

Calendário

Mudança. A prefeitura informou que vai encaminhar à comissão organizadora da conferência proposta de alteração do calendário do evento sugerida por parcela dos delegados. Se aprovada a sugestão, as novas datas deverão ser definidas pela comissão e encaminhadas à apreciação do Conselho Municipal de Política Urbana, que aprovou o calendário atual. Trâmite. Após aprovação pelos delegados, as propostas apresentadas pela prefeitura vão integrar projeto de lei a ser encaminhado à Câmara.

Prefeitura pretende reduzir área de restrições Santa Tereza é um bairro com Área de Diretrizes Especiais (ADE), com restrições rígidas de construção por estar em região de preservação, assim como a Pampulha. No entanto, segundo a proposta da prefeitura, o perímetro da ADE seria reduzido, com a eliminação de ruas próximas ao bairro Floresta da área. Procurada, a Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano não informou que trechos ficarão fora da ADE. Uma das restrições da área é quanto à altura máxima para construção – de 15 m, no geral, e 9 m em casos especiais. “Acredito que é nesse trecho que há o interesse de verticalização, mas está tudo muito confuso”, afirmou, receoso, Pedro Martins, um dos delegados da Conferência Municipal de Política Urbana, que discute o assunto.

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