Empréstimo e leilão de energia salvam o setor

Governo diz que repôs 60% da oferta; consumidor pode pagar a conta

iG Minas Gerais |

Transmissão. Governo garantiu oferta maior de energia para os próximos meses com leilão nessa quarta
RODRIGO CLEMENTE/28.2.2011
Transmissão. Governo garantiu oferta maior de energia para os próximos meses com leilão nessa quarta

SÃO PAULO. O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse que caso o leilão de contratação de energia realizado nessa quarta e o empréstimo de R$ 11,2 bilhões, já acertado pelo governo para as distribuidoras, não forem suficientes para minimizar o rombo das empresas do setor, novas alternativas serão procuradas. “Se continuarmos a ver desequilíbrio entre o que está na tarifa e o fluxo das distribuidoras, soluções serão buscadas, como fizemos até agora”, disse.  

Especialistas do setor apontavam, antes do leilão, que o financiamento já obtido seria suficiente para cobrir apenas uma parte do rombo que as distribuidoras terão ao longo do ano e novos aportes seriam necessários. Com um certame que superou as expectativas, e terminou com a contratação de 2,046 mil MW médios, 60% de toda necessidade das distribuidoras, Rufino disse que a estimativa inicial é de que o empréstimo será suficiente, mas afirmou que os cálculos serão refinados. De acordo com ele, nesse momento não é possível saber se o montante total do empréstimo de R$ 11,2 bilhões celebrado semana passada entre um grupo de dez bancos e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) será efetivamente utilizado ou o ritmo de desembolsos.

“O empréstimo tem previsão daquele montante, mas será liberado na medida das necessidades. Ele não precisa exaurir em junho”, disse.

A Aneel considera que ainda é muito cedo para saber o real impacto do leilão de energia realizado nessa quarta nas contas de luz, mas o diretor da agência Romeu Rufino explicou que, no caso das empresas que ainda devem passar pelo reajuste tarifário anual, o valor dos contratos já deve ser incluído no cálculo e pode gerar como impacto uma alta maior do que a esperada inicialmente.

Do montante total de energia comercializada, 1,471 MW médios são provenientes de hidrelétricas, ao preço médio de R$ 270,81, ligeiramente abaixo do preço-teto de R$ 271/MWh. Mas bem abaixo do valor de mercado, hoje superior a R$ 800. Por isso, especialistas acreditam que haverá uma compensação do governo, que pode incidir sobre os próximos reajustes tarifários ou ser coberto por recurso do Tesouro Nacional. Nesse caso, o governo pode compensar o rombo aumentando impostos, como fez recentemente com o setor de bebidas.

Nos reajustes de 2014, o valor da energia adquirida no mercado de curto prazo está represado e deve ser repassado para as tarifas só a partir do ano que vem.

Racionamento é descartado Brasília. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, disse que o governo confia na avaliação dos órgãos técnicos do setor de energia elétrica de que não há necessidade de racionamento e medidas de redução do consumo de energia. O secretário disse que “existem órgãos técnicos que fazem essa avaliação, a ONS (Operador Nacional do Sistema) e o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrica). E esses órgãos têm colocado a avaliação para a sociedade e para o governo de muita tranquilidade”, acrescentando que a ONS fez um desmentido oficial de matéria sobre necessidade de medidas de redução de consumo.

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