ONU diz que superbactérias já são ameaças a saúde mundial

Documento ressalta resistência de bactérias responsáveis em doenças graves, como pneumonia

iG Minas Gerais |

Ativo. Bactérias resistentes já dificultam o tratamento de doenças graves, como pneumonia e gonorreia e infecções do trato urinário
Marlene Bergamo/Folhapress
Ativo. Bactérias resistentes já dificultam o tratamento de doenças graves, como pneumonia e gonorreia e infecções do trato urinário

GENEBRA, Suíça. Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que a resistência de bactérias a antibióticos já é considerada hoje – e não futuramente, como era previsto – uma das maiores ameaças à saúde pública. “O mundo caminha para uma era na qual as infecções comuns e pequenos ferimentos que foram tratáveis durante décadas podem voltar a matar”, diz Keiji Fukuda, diretor-geral de Segurança Sanitária da OMS.

O relatório intitulado de “Antimicrobial resistance: global report on surveillance” (na tradução, “Resistência aos antimicrobianos: um relatório global sobre a vigilância”) observa que a resistência está ocorrendo através de muitos agentes infecciosos diferentes, mas ressalta o problema em sete diferentes bactérias responsáveis por doenças graves, como infecções da corrente sanguínea, diarreia, pneumonia, infecções do trato urinário e gonorreia. Os resultados são motivo de grande preocupação, documentando a resistência aos antibióticos em todas as regiões do mundo.

O texto, que inclui informações sobre a resistência aos medicamentos para o tratamento de outras doenças, tais como HIV, malária, tuberculose e influenza, fornece a imagem mais abrangente até hoje de resistência às drogas, incorporando dados de 114 países.

“Os países precisam melhorar a vigilância à resistência antimicrobiana, caso contrário, nossas ações são apenas um tiro no escuro; sem esta informação, os médicos não sabem a extensão do problema e não podem tomar as decisões clínicas necessárias”, disse, em nota Jennifer Cohn, coordenadora médica da Campanha de Acesso a Medicamentos da Médicos Sem Fronteira.

“Precisamos urgentemente de um sólido plano global de ação do uso racional de antibióticos para que a qualidade seja assegurada para aqueles que precisam do medicamento, mas não usados em excesso ou com preços fora de alcance”, completou Cohn.

Urgência. O relatório revela que as principais ferramentas para combater essa resistência, tais como sistemas básicos para acompanhar e monitorar o problema, mostram lacunas ou não existem em muitos países.

Outras ações importantes incluem prevenção a infecções, através de melhor higiene, acesso à água potável, controle de infecções em hospitais, e vacinação para reduzir a necessidade de antibióticos.

Mortes

Dados. Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA estima que 23 mil pessoas morram por ano no país vítimas de superbactérias. Na União Europeia, esse total chega a 20 mil por ano.

Nova cepa foi encontrada em hospital de SP São Paulo. Cientistas brasileiros e americanos identificaram uma superbactéria no sangue de um paciente – um homem de 35 anos – que morreu em São Paulo, no Hospital das Clínicas. Ela é altamente resistente ao antibiótico vancomicina, medicamento comum e de baixo custo utilizado para tratar infecções causadas por bactérias Staphylococcus aureus resistentes à metilicina (SARM). Um estudo sobre a nova cepa foi divulgado na publicação científica “The New England Journal of Medicine”, no último dia 17. A superbactéria pode ser encontrada fora de hospitais e transmitida por contato com a pele. Ainda conforme o estudo, indivíduos saudáveis podem contrair infecção pela bactéria, e não apenas enfermos ou pessoas com imunidade baixa. A nova cepa foi detectada em 2012, quando a vítima ainda estava viva, e não teria sido a causa de morte do paciente, que sofreu múltiplas complicações.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave