Musical traz obra de artista polêmico por natureza

iG Minas Gerais | GUSTAVO ROCHA |

Peça reúne mais de 30 músicas de vários momentos da carreira
Leo Aversa/Divulgação
Peça reúne mais de 30 músicas de vários momentos da carreira

Uma das polêmicas levantadas em torno do filme “Cazuza – O Tempo Não Para”, na época do seu lançamento, em 2004, foi que algumas questões importantes da vida do músico – como sua orientação sexual e o uso abusivo de drogas e álcool – foram deixadas de lado. O sempre controverso músico Lobão chegou a dizer que o filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho mais “parecia um episódio de ‘Malhação’ tendo Cazuza como personagem”.  

O filme se inspirou no livro de memórias de Lucinha Araújo, “Cazuza – Só as Mães São Felizes”, e sobre ele recaía a suspeita de que, para contar ao público uma história mais palatável, ela teria evitado relatar os “podres” do filho (como é sabido que ela, de fato, fez em vários momentos da vida e carreira de Cazuza).

Protagonista de “Cazuza – Pro Dia nascer Feliz”, que estreia hoje em Belo Horizonte, Emílio Dantas afirma que essa possível “censura” não ocorreu enquanto criavam o musical. “Pelo contrário! A Lucinha chegou a nos dizer que alguns episódios que aconteceram eram piores do que mostrávamos”.

A inevitável comparação com Daniel Oliveira, que interpretou o poeta no filme e foi elogiado por sua performance e semelhança com Cazuza, ainda não aconteceu, segundo Dantas. “Honestamente, eu não procurei assistir ao filme como fonte de inspiração. Engraçado é que as pessoas jamais me disseram qualquer coisa a esse respeito. O Daniel foi nos assistir agora recentemente e depois nós conversamos tranquilamente”, relata o ator.

Ao comparar as duas obras, o ator acredita que o musical tem uma característica fundamental que o diferencia do filme. “Nós temos o universo musical, que por si só, já é uma apelo. Tivemos esse respaldo das músicas. Não passamos pelo lado documental. Esse espetáculo é uma celebração da vida e obra do Cazuza. Cantamos quase 30 músicas em cena”, ressalta.

Sucesso. Em apenas oito meses de vida, o espetáculo “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz” acumula críticas favoráveis e arrebata fãs por onde passa. “Fazer esse espetáculo é como jogar para uma torcida e é assim que vejo nosso público”, comemora Dantas.

Após sua estreia no Rio, o musical passou por algumas capitais brasileiras. “Em Vitória, apresentamos em um ginásio; em Santos, foi um teatro mais antigo e em Porto Alegre mais moderno. Cada um desses lugares proporciona uma experiência diferente”, revela o ator.

Dantas, naturalmente, é o foco das atenções. Muito embora, a princípio, ele não se pareça fisicamente com Cazuza, seu trabalho de ator e cantor consegue levar o público e mesmo os que conviveram com ele a acreditarem que estão diante do músico. Ney Matogrosso, que namorou o cantor, foi visto chorando na plateia depois de uma das apresentações, no Rio de Janeiro.

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