E o poeta não morreu...

Aclamado pela crítica e bem-recebido pelos fãs, musical “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz” chega a Belo Horizonte

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Agradou! Emílio Dantas (no centro) tem atuação elogiada vivendo o poeta. Os tempos de “Barão Vermelho” são lembrados no musical, que apresenta, inclusive, músicas que não foram gravadas por Cazuza
Leo Aversa/Divulgação
Agradou! Emílio Dantas (no centro) tem atuação elogiada vivendo o poeta. Os tempos de “Barão Vermelho” são lembrados no musical, que apresenta, inclusive, músicas que não foram gravadas por Cazuza

“(...)Foi ao inferno e voltou. Conheceu os Jardins do Éden e nos contou….”, os versos de Roberto Frejat – antigo companheiro dos tempos de Barão Vermlho – na música “O Poeta Está Vivo”, de alguma forma sintetizam a mística que se criou em torno daquele que provavelmente melhor represente o comportamento, a “loucura” (sexo livre, o uso de drogas e álcool desregradamente) do rock produzido no Brasil, a partir dos anos 1980. Cazuza pode não estar mais entre nós, mas sua memória e sua obra são recorrentes. Prova disso é o musical “Cazuza - Pro Dia Nascer Feliz”, que desembarca nesta quinta em Belo Horizonte para apresentações no Teatro Bradesco.  

O musical dirigido por João Fonseca traz o ator Emílio Dantas na difícil tarefa de dar vida a um dos personagens mais explosivos de nossa música. “Procurei estudar o Cazuza por meio de vídeos disponíveis na internet e também conversando com pessoas que conviveram com ele”, relata Dantas, que está bem acompanhado em cena por outros 15 atores/cantores que interpretam personagens marcantes da vida do músico: seus pais, Lucinha e João Araújo, os amigos, companheiros e músicos como Ney Matogrosso, Bebel Gilberto, Frejat, Caetano Veloso, Dé Palmeira, entre vários outros que gravitaram em torno de Cazuza.

A semelhança entre ator e personagem que as fotos do espetáculo mostram é impressionante. Aparentemente, Dantas se transformou em Cazuza. A prática de “transformação” é bastante recorrente no cinema, que goza de recursos que “facilitam” a vida do ator: ângulos e movimentos de câmera, maquiagem, modulação da voz, dentre outras tantas possibilidades. Os exemplos são muitos: Val Kilmer como Jim Morrison, Jamie Foxx como Ray Charles são apenas dois de um filão que parece também ter chegado aos palcos. Mas o teatro é a arte do “aqui e agora”, não tem edição, e tudo (ou quase tudo) é feito aos olhos da plateia.

“Não temos noção e registro do Cazuza durante todos os dias de sua vida por 24 horas. Então, meu processo de criação teve duas linhas: tentei imitar e me acostumar com gestos e trejeitos conhecidos dele, mas também fui atrás de alguns estímulos e reações que eu imagino ser como ele faria na vida real”, revela o ator.

Em sua imersão de 45 dias apenas de ensaios – “não teve outro jeito, eu estava fazendo uma novela, na época ” –, outra fonte importante para a composição de seu personagem foi a própria presença da mãe de Cazuza, que acompanhou – inclusive – a seleção de Dantas para o papel.

MÚSICA. A escolha das músicas da peça passou por um amplo trabalho de pesquisa, conduzido pelos dois diretores musicais, Daniel Rocha e Carlos Bauzys. A carreira de Cazuza foi dividida em quatro momentos chaves: a formação do Barão Vermelho; o lançamento do primeiro disco do grupo, o sucesso e a carreira solo. Dentre os clássicos apresentados no espetáculo, conhecidos do público, estão “Pro Dia Nascer Feliz”, “Codinome Beija Flor”, “Bete Balanço”, “Ideologia”, “O Tempo Não Para”, “Exagerado”, “Faz Parte do Meu Show”. O espetáculo também revela canções que não foram gravadas por ele, mostradas pelo time de sete músicos que tocam ao vivo.

Ator, mas também músico e cantor em vários momentos na sua juventude, Dantas acredita que fazer o musical lhe deu a possibilidade de encontrar duas coisas de que tanto gosta. Ele foi cantor da banda Mulher do Padre, mas revela que conhecia pouca coisa da vida e mesmo da obra de Cazuza.

“Eu tinha banda desde os 15 anos de idade, mas não tinha uma noção completa dele. Aliás, eu agradeço a oportunidade de fazer esse trabalho porque agora eu conheço e tenho um pouco mais de discernimento da obra dele”, diz.

Ao conhecer melhor seu personagem, o ator diz que se surpreende com a capacidade de síntese do falecido poeta. “Outro dia, comentei com alguém do elenco que se a gente anotar todas as palavras que uma pessoa diz em um dia inteiro, nós vamos encontrar a matéria-prima da obra do Cazuza. Ele tinha a capacidade de traduzir os sentimentos mais confusos da maneira mais simples”, filosofa.

Agenda

O quê. “Cazuza - Pro Dia Nascer Feliz”

Quando. Quinta e sexta, 21h. Sábado, às 17h e 21h30. Domingo às 17h

Onde. Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Entre R$ 120 e R$ 200, com respectivas meia-entradas.

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