Proposta da prefeitura é menor que 7% ao ano

De acordo com sindicatos, com parcelamento, aumento real proposto é de 5,6%; mesmo sem acordo com categorias, Câmara promete votar projeto na próxima terça

iG Minas Gerais | Da Redação |

Educadores lotaram a Câmara para manifestar contra reajuste parcelado proposto pela gestão
Moisés Silva
Educadores lotaram a Câmara para manifestar contra reajuste parcelado proposto pela gestão

Servidores da saúde da educação da cidade, que estão em greve, contestam a proposta da Prefeitura de Betim, que, no início de abril, ofereceu reajuste de 7% nos vencimentos do funcionalismo, sendo que o aumento seria dividido em duas partes: 3% em abril e outros 4% a partir de agosto.

O aumento, porém, diferentemente do que está sendo anunciado pela prefeitura, chegará, no máximo, a 5,66%.

Para o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Betim (Sindserb), Geraldo Teixeira, o reajuste parcelado se transformou em uma estratégia “enganosa” do governo municipal de conceder um índice menor para o funcionalismo.

Neste ano, explica Teixeira, o aumento não vai cobrir nem mesmo a inflação acumulada no período de 12 meses, que, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), chega a 6,15%.

“Vamos receber neste período menos que a inflação. Os 7% integrais cobririam apenas as perdas inflacionárias. Não teríamos ganho algum. De forma parcelada, teremos mais prejuízos. Infelizmente, a prioridade deste governo não é o servidor, mas, sim, apostilados e amigos do prefeito, que recebem salários de marajás, mesmo o prefeito prometendo acatar o teto do funcionalismo”, afirmou.

O contador e auditor fiscal Lindolfo Fernandes de Castro explica como o índice de 7% parcelado, no fim de 12 meses, resulta em um percentual menor do que foi anunciado.

Segundo ele, um servidor com salário de R$ 1.000 passará a ganhar R$ 1.030 entre abril e agosto. Depois de agosto, o vencimento passará para R$ 1.070. A soma anual significa um montante de R$ 12.680, que, dividido em 12 meses, compreende um vencimento de R$ 1.056,60, ou seja, 5,66% maior do que é hoje. Nesses meses, os servidores terão que arcar com os custos da inflação e com aumentos significativos nos produtos da cesta básica, nas contas de luz e água, em combustíveis e outros serviços.

“Essa é uma tática que as administrações adotam para burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ao propor o reajuste parcelado, o governo dilui o comprometimento com a folha de pagamento em meses estratégicos, já que abril e agosto são os meses em que o governo fecha o quadrimestre fiscal e precisa mostrar os gastos. Betim é uma cidade rica, que conta com uma das maiores arrecadações do Estado, e que, justamente por isso, poderia oferecer um índice melhor”.

Supersalários

O diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Luis Fernando Souza, concorda. “Nossa postura é a de repúdio ao reajuste parcelado, que nem sequer repõe a inflação. Infelizmente, o governo prioriza os apostilados e os supersalários em detrimento dos efetivos”. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a proposta de 7% escalonados foi mantida na mesa de negociações realizada na última quarta (30). Com isso, o presidente da Câmara, Marcão Universal (PSDB), promete colocar o projeto em pauta na próxima terça (6).

Sobre o cálculo do reajuste parcelamento, a assessoria de imprensa não se pronunciou até o fechamento da edição.

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