Demora no atendimento em UAIs vira caso de polícia

Pacientes reclamam do longo tempo de espera e da falta de médicos

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Sete de Setembro.
 
A PM foi acionada após pacientes ameaçarem invadir as salas da unidade de saúde
FOTO: NELSON BATISTA / O TEMPO
Sete de Setembro. A PM foi acionada após pacientes ameaçarem invadir as salas da unidade de saúde

 

Moradores de Betim, cansados de esperar por atendimento médico nas unidades de saúde de Betim, fizeram uma manifestação, na última semana, e entraram em desavença com médicos e enfermeiros. Por duas vezes, a Polícia Militar foi acionada para tentar controlar os ânimos nas Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) Sete de Setembro e Teresópolis.   A primeira ocorrência foi registrada no bairro Teresópolis, na noite de segunda-feira (28), onde um grupo de pessoas ateou fogo a pneus e madeiras, bloqueando a avenida Belo Horizonte, para conseguir ser atendidas na UAI do Teresópolis. De acordo com funcionários, que pediram para não ser identificados, eles também protestaram contra a má qualidade do socorro e o déficit de pediatras.    À reportagem de O Tempo Betim, Vanda Maria da Silva Oliveira, 48, contou que, um dia após o ocorrido, na terça-feira (29), ela foi à UAI em busca de atendimento para a sua própria filha, de 6 anos, mas disse que demorou a conseguir a consulta. “Depois de horas na fila de espera, conseguimos o atendimento. Uma funcionária me disse que apenas as emergências seriam atendidas. Nos demais casos, eles estavam mandando voltar para casa”.   Para ela, a situação é absurda. “Não há médicos em Betim. Sempre que a gente precisa de atendimento nessa UAI, faltam funcionários ou os equipamentos estão estragados. É preciso que as autoridades do município se tornem mais humanas, façam visitas a essa unidade para ver de perto o que a população sofre. Eu não tenho nem o dinheiro da passagem para me deslocar a outra UAI, muito menos para outra cidade. A situação é séria”.   Íris Barbosa, 57, que mora há 25 anos no Teresópolis, também lamentou o ocorrido. Para ela, é preciso investir em efetivo. “O atendimento precisa melhorar. Não adianta a prefeitura abrir mais unidades de saúde se não há profissionais para atender a população”, opinou.    Na avaliação de Murilo Araújo, que está há 45 anos morando no Teresópolis, o atendimento aos usuários na UAI está cada dia pior. “Já precisei ir a Belo Horizonte para conseguir atendimento. Essa unidade é só para enfeite. É lamentável essa situação. Betim não merecia isso. A cidade é uma das mais ricas de Minas Gerais e está abandonada”.   Centro A segunda ocorrência foi registrada na noite de terça-feira (29), na UAI Sete de Setembro. Segundo pacientes, apesar de haver três médicos na unidade, alguns chegaram a esperar mais de 12 horas por uma consulta. Revoltados, usuários ameaçaram invadir as salas de atendimento, mas foram impedidos pela Guarda Municipal. A PM voltou a ser acionada. “É uma situação vergonhosa para o município. Só conseguimos atendimento depois da chegada dos policiais. Agora, vou levar a ocorrência para o Ministério Público. Não podemos ficar de braços cruzados”, disse o vigilante Hemerson Fonseca. A esposa dele, que sentia fortes dores no estômago, aguardou sete horas até ser atendida.    A prefeitura informou que os usuários que aguardavam atendimento se manifestaram contra o procedimento de classificação de risco – triagem realizada para determinar a prioridade no atendimento, um método já adotado em unidades e hospitais da região metropolitana para garantir que os atendimentos mais urgentes sejam priorizados.

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