Perdas com Pasadena podem ser revistas, diz Graça Foster

Presidente da estatal muda de discurso na Câmara e diz que negócio era “potencialmente bom”

iG Minas Gerais |

Venda. Graça Foster diz que Pasadena não será vendida, apesar das propostas recebidas pela refinaria
Antonio Augusto / Agência Câmara
Venda. Graça Foster diz que Pasadena não será vendida, apesar das propostas recebidas pela refinaria

Brasília. A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse nesta quarta em audiência na Câmara dos Deputados, que as perdas com a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, podem ser revistas “total” ou “parcialmente”. Graça suavizou seu discurso anterior ao Senado há 15 dias e sustentou que por dois anos o negócio poderia ser considerado “potencialmente bom”.  

“Até 2008, o negócio de Pasadena era potencialmente bom. Pós 2008, o negócio passa a ser de baixo retorno. As margens foram reduzidas e o mercado caiu, além disso não fizemos Revamp (modernização). O mercado também passou a comprar menos”, afirmou.

Graça informou que entre 2006 e 2013 foram investidos na refinaria US$ 685 milhões em cima do valor da aquisição. E comparou os valores aplicados com o que é feito nas refinarias do país: “Pagar US$ 86 milhões por ano em investimentos em Pasadena não é muito diferente aqui no Brasil.”

Ela negou falhas do Conselho de Administração da estatal na compra e rebateu declarações de Nestor Ceveró, ex-diretor internacional da Petrobras, responsável pelo resumo que embasou a decisão da compra da refinaria, em 2006.

Cobrada pelos deputados sobre a mudança de posição, já que aos senadores havia dito que Pasadena foi um “mau negócio”, Graça se justificou: “Analisarmos o passado é muito mais razoável do que analisar o presente”.

Ela também voltou a dizer que as cláusulas omitidas no resumo feito por Cerveró eram importantes.

Ainda de acordo com Graça Foster, caberia ao Conselho de Administração da estatal, na época presidido pela presidente Dilma Rousseff, explicar por que, ao invés de ser demitido, Cerveró, foi transferido para uma outra diretoria.

Críticas. Deputados da oposição criticaram a suavização na explicação de Graça.

“Depois que o (ex-presidente José Sérgio) Gabrielli disse que a presidente Dilma teria que assumir a sua responsabilidade, parece que há um esforço grande de vossa senhoria no sentido de mudar um pouco o discurso. Parece que há um pouco de medo do que ele poderia dizer”, afirmou Vanderlei Macris (PSDB-SP).

Já Mendonça Filho, líder do DEM, falou em contradição. “Ela contraria o que a Dilma e o Gabrielli disseram. Sobre a decisão de não vender a refinaria, o governo só não faz isso para não mostrar o tamanho do prejuízo que levou, porque ela vale pouco”.

“Prioridade é o Brasil e o pré-sal”

Resultado. Graça Foster, considerou que a produção da estatal está “atrasada” e que a prioridade “absoluta” serão investimentos no Brasil.”É questão de poucos meses para começarmos a mostrar um resultado melhor. Nossa atividade fora do Brasil não é prioridade, a prioridade é o Brasil por conta do pré-sal”,

Erros. Líderes da oposição na Câmara querem que a presidente Dilma indique quem é o responsável por “erros” na Petrobras. PSDB, PPS, DEM e Solidariedade vão enviar ofício ao gabinete de Dilma para que ela explique a quem se referiu quando disse que a estatal não pode pagar por “erros de funcionários”.

Manutenção

Pasadena. Graça disse que a Petrobras vai manter Pasadena, embora tenha recebido algumas propostas de venda. Ela disse, porém, que a Petrobras não está mais disposta a investir na refinaria.

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