Elevado Castelo Branco passa a se chamar Helena Greco

Viaduto estava sem nome desde dezembro de 2012, quando o decreto que o nominava, de 1971, foi revogado

iG Minas Gerais | Da redação |

Elevado Castelo Branco foi um dos escolhidos pelo concurso
Pedro Silveira / O Tempo
Elevado Castelo Branco foi um dos escolhidos pelo concurso

O projeto de lei que batiza como Helena Greco o viaduto que liga a avenida Pedro II à praça Raul Soares, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi promulgado nesta quarta-feira (30) pelo presidente em exercício da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Wellington Magalhães (PTN).

Conhecido como Elevado Castelo Branco, estava sem nome desde dezembro de 2012, quando o decreto que o nominava, de 1971, foi revogado. Ele foi renomeado em homenagem à ex-vereadora e militante pelos direitos humanos, Helena Greco, que morreu em 2011, vítima de insuficiência cardíaca.

Entenda

O projeto que deu origem à lei foi apresentado pelo vereador Tarcísio Caixeta (PT), que considerou sua sanção como símbolo do resgate da história das pessoas, que, como Helena Greco, lutaram pela redemocratização do país. O viaduto que recebeu o seu nome chamava-se, até dezembro de 2012, Castelo Branco, nome dado em 1971 por decreto municipal que homenageou também outro presidente do regime militar, Costa e Silva.

Em 2012, a Câmara aprovou projeto de Tarcísio Caixeta que renomeava dois viadutos da cidade. Ao viaduto Costa e Silva, ele deu o nome do ex-deputado José Maria Magalhães, pai do ex-vereador José Lincoln Magalhães. O problema se deu na hora de trocar o nome do viaduto Castelo Branco pelo de Helena Greco. A mudança não foi aceita pela Câmara. Com isso, o viaduto ficou, desde dezembro daquele ano, sem nome. 

Quem foi

Helena Greco nasceu em Abaeté, na região Central do Estado. Formada em farmácia, nunca exerceu a profissão, encontrando na política sua verdadeira vocação. Iniciou a militância aos 61 anos, no momento em que a população brasileira lutava pelo fim da ditadura militar. Talvez pelo momento conturbado, a mineira tenha se interessado pela luta em defesa dos direitos humanos - marca de seus mandatos na Câmara. Ela também foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhores (PT).

Em um espaço eminentemente masculino - já que, em seu primeiro mandato no Legislativo, em 1983, apenas outra mulher também ocupava uma vaga -, ela conseguiu implementar a primeira Comissão Permanente de Direitos Humanos em todo o Brasil, com o objetivo de colocar fim à exploração dos trabalhadores e lutar contra as desigualdades.

Em seu primeiro mandato como vereadora, Helena foi responsável pela primeira troca de nome de rua por homenagear uma pessoa comprometida com a ditadura. Na época, a rua levava o nome de Dan Mitrione, agente norte-americano que veio à Belo Horizonte e outras capitais brasileiras para treinar os policiais na aplicação de torturas, especialmente, a técnica de torturas com choques sem deixar marcas. 

A rua, localizada no bairro das Indústrias, atualmente leva o nome de José Carlos da Mata Machado, que militou pela Ação Popular (AP) e foi presidente do Diretório Acadêmico da escola de Direito da UFMG, morto após ser preso no DOI-CODI de Recife.

Helena foi uma das principais responsáveis pelo movimento de anistia no país. Foi presidente e fundadora do Movimento Feminino pela Anistia em Minas Gerais, em 1977, e do Comitê Brasileiro de Anistia, em 1978.

Ela faleceu em 2011 aos 95 anos, vítima de uma insuficiência cardíaca.

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