Vencedora mineira de concurso de redação quer ser médica

Ela ficou em primeiro lugar no ranking estadual e em segundo, no nacional, com a carta fictícia que escreveu para o compositor Beethoven contando a experiência de uma menina surda com a música

iG Minas Gerais | Juliana Baeta |

Julia venceu o concurso de redação e que ser médica
Colégio Logosófico
Julia venceu o concurso de redação e que ser médica

A estudante mineira que ficou em primeiro lugar na etapa estadual e em segundo na etapa nacional do Concurso Internacional de Redação para Jovens promovido pela União Postal Universal – entidade que controla os operadores postais em 192 países, com sede em Berna, na Suíça – se surpreendeu ao saber do resultado da competição e revelou que, na verdade, tem o sonho de ser médica.

Julia Oliveira Melo, que tem apenas 13 anos e é matriculada no 8º ano do Colégio Logosófico, em Belo Horizonte, tinha que escrever uma carta fictícia com o tema “de que modo a música influencia a vida” e emocionou os jurados com o texto endereçado ao compositor Beethoven. “Eu inventei essa história porque queria mostrar a importância da música do jeito contrário, a falta que ela faz. E eu também gosto do Beethoven”, explicou a estudante.

A carta conta a história de uma menina de 15 anos que sofreu um acidente de carro com a família e se descobre no hospital, surda. Apesar do sucesso da redação, Júlia não pretende atuar na área das letras quando crescer, mas sim, na medicina. “Quero ser médica obstetra”, revelou.

Quando ficou sabendo do resultado, Júlia ficou surpresa. “Quando eu fiz a inscrição, não esperava. Não tem como não ficar feliz, foi impressionante”, disse.

Leia um trecho da redação:

“O pior foi a música. Ninguém poderia traduzir a música para libras. Foi aí que pesquisei e descobri sua vida. Como você compunha sem ouvir? Descobri que você deitava no chão para sentir as vibrações. Foi isso que fiz adaptando para o mundo de hoje.

Pedi para minha irmã colocar para tocar meu pen drive de antes do acidente. Mesmo sem entender, ela fez.

Peguei a caixa de som, já ligada, e pressionei contra o ouvido. O tremor suave e ritmado dela me fez lembrar da época que eu ouvia. A música ecoou na minha mente e o silêncio desapareceu. Fazia isso diariamente. São poucos os que sabem disso. Embora todos tenham notado a diferença no meu humor.

Desde que aprendi esse jeito de ouvir meus amigos me elogiam pela valentia.

Quero agradecer. Sua ideia me devolveu a música. A música me trouxe parte do que eu era antes, me deu esperanças, me transformou. Ela voltou preenchendo o vazio em que vivia.

Eu sei que não vai ler minha carta, mas quero registrar o tanto que sou grata a você. Agora estou indo ao Canadá fazer uma cirurgia que poderá devolver minha audição. Na verdade ela já esta dentro de mim, porque descobri que a musica é pura sensibilidade. Não são só os ouvidos que podem senti-la. O coração a entende melhor”.

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