Sem medo de barrar estrelas

Técnico já descartou no passado atletas de nome que não estavam rendendo com a camisa do Galo

iG Minas Gerais | Thiago Prata |

De olho! Com a presença de membros da diretoria, Levir Culpi não deu moleza aos jogadores no treinamento de ontem na Cidade do Galo
Bruno Cantini
De olho! Com a presença de membros da diretoria, Levir Culpi não deu moleza aos jogadores no treinamento de ontem na Cidade do Galo

O mundo da bola está em constante mudança. E à medida que as horas passam, as opiniões no futebol também são alteradas. Há menos de um ano, o treinador que levou o Atlético ao título da Copa Libertadores, Cuca, era execrado pela Massa por ter tido a “audácia” de promover a entrada de Guilherme na vaga de Ronaldinho Gaúcho durante o primeiro embate da final do torneio, contra o Olimpia-PAR, em julho, em Assunção. Mas os tempos são outros.

A apenas um dia do confronto ante o Atlético Nacional-COL, pelas oitavas de final da edição 2014 da competição, boa parte da torcida prefere ver o camisa 17 como titular e R10 no banco de reservas. Quem diria?

Outro que está devendo atuações convincentes e tem a titularidade em xeque é Diego Tardelli. O avante sequer participou do treino coletivo de ontem, mas por conta de um desconforto na coxa esquerda, e não pelo desempenho ruim na temporada.

Não se sabe ainda quem começará jogando amanhã. Porém, não seria surpresa alguma ver R10 e Tardelli como opção de segundo tempo ou sendo substituídos no intervalo, caso não tenham um rendimento positivo na etapa inicial. Isso porque Levir Culpi não quer nem saber se um atleta tem status de craque. Para o treinador, entrará em campo quem estiver mais bem preparado.

Levir mostrou em várias ocasiões que não tem medo de sacar as estrelas da equipe. Em 1994, foi contratado para colocar ordem na casa. Graças a ele, a Selegalo foi desfeita. Atletas que estavam mal, como Renato Gaúcho, Neto e Gaúcho, acabaram dispensados. A receita deu certo, já que um time desacreditado chegou às semifinais do Brasileiro daquele ano e foi campeão mineiro em 1995.

Em 2002, o técnico também não ficou hesitou na decisão de tirar Ramon Menezes da equipe. O desentendimento entre o armador e o comandante foi tão grande que o treinador chegou a dizer que o meia tinha “Q.I. de alface”, rendendo um processo ao clube.

Em sua terceira passagem pelo clube, em 2006/07, Levir também colocou aqueles que julgava serem os melhores na oportunidade, o que foi fundamental para as conquistas da Série B do Brasileiro de 2006 e do Mineiro de 2007.

E, ao que tudo indica, a filosofia de trabalho do técnico continua a mesma. Na reestreia, no domingo passado, na derrota por 2 a 1 para o Grêmio, em Porto Alegre, ele deu o recado, ao tirar R10 e Tardelli no segundo tempo, e promover as entradas de Guilherme e Marion.

“Tirar o Ronaldinho para mim é como tirar qualquer jogador. Fiz uma palestra rápida com eles (jogadores) e falei que o jogador é número, quantos chutes, passes, gols, assistências ele tem. O melhor jogador está dentro da estatística”, declarou Levir.

Teoricamente, Guilherme, Neto Berola e Marion deveriam ser titulares nos lugares de Ronaldinho, Tardelli e Fernandinho, pois têm melhor desempenho neste ano. Amanhã pode ser o dia D para muitos atletas.

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