Produtores de café perderam R$ 3,6 mi

Agricultores da microrregião apostam em chegada da água para desenvolver potencial

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Barraginhas. Reservatórios feitos por prefeituras amenizam efeitos da seca
DANIEL DE CERQUEIRA
Barraginhas. Reservatórios feitos por prefeituras amenizam efeitos da seca

Taiobeiras, Berizal e Indaiabira. Clima e altitude ideais, e terra fértil. Grandes e pequenos produtores, prefeituras e governo federal são unânimes em destacar o potencial produtivo da microrregião do Alto Rio Pardo, no Norte de Minas Gerais. Gestores municipais e agricultores afirmam que a conclusão da barragem do Berizal, já prometida pelo Ministério da Integração Nacional, trará o único ingrediente que falta para a receita de sucesso em que a população dessa área tanto acredita: a água. Uma das mais fortes dos últimos 40 anos, a estiagem de 2012 trouxe grandes prejuízos aos produtores de café das cidades de Taiobeiras, Berizal e Indaiabira. Neste ano, alguns empresários chegaram a perder 10 mil sacas do fruto – que renderiam até R$ 3,6 milhões.

Mesmo sem detalhar números, o prefeito de Taiobeiras, Danilo Mendes Rodrigues, diz que já recebeu propostas de investidores que, caso a obra vingue, pretendem ampliar seus negócios. “A barragem será uma solução permanente. Esses produtores estão esperando a obra sair para colocar suas fazendas na região. Isso trará uma geração de emprego muito grande”, afirma. O prefeito de Berizal, município onde ficará a barragem, também já fez contatos com novos investidores. “Um empresário quer plantar 2 milhões de pés de limão na cidade, mas está receoso. Por causa da água, ele ainda não sabe se vai plantar”, afirma Valdeni Meireles dos Santos. Ele acredita que em quatro ou cinco anos haja uma debandada de moradores caso novas oportunidades de emprego e geração de renda não surjam na região. O produtor de café Carlos Lucas Mendes, que em 2012 perdeu 10 mil sacas do grão, teve que investir R$ 400 mil em duas pequenas barragens no rio Pardo para irrigar sua plantação de 3,5 milhões de m². “O clima é perfeito, e o solo é bom. Não tenho a menor dúvida de que plantaria muito mais caso tivesse água”, diz. O mesmo diz o empresário Antônio José Félix Lopes, que há 12 anos planta no Alto Rio Pardo está desmotivado. “A barragem seria boa não só para os meus empreendimentos, mas para os de todos que ali estão.” Críticas. O Movimento dos Atingidos por Barragens, que acompanha as famílias que precisarão ser desapropriadas para conclusão da barragem do Berizal, afirma que a irrigação das grandes áreas produtoras de café prejudica o rio. “Esses produtores usam grandes pivôs de irrigação, que sugam até 12 mil litros de água por minuto”, diz o militante do MAB Valcileno Almeida de Souza, 27. “Não acredito que isso seja verdade. Muitos agricultores familiares também usam muita água do rio”, pondera Carlos Mendes. Esta é a última reportagem da série sobre a barragem de Berizal publicada desde a segunda-feira passada por O TEMPO.

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