Hostilizado, ministro compara clima tenso a panela de pressão

Ativistas provocaram Gilberto Carvalho em debate sobre a Copa no Rio; ‘são minoria’, diz ele

iG Minas Gerais |

Mais um. O Movimento Rio de Paz protestou ontem contra o desperdício de dinheiro publico na Copa 2014. O ato foi 
em frente à estátua do Cristo Redentor, no morro do Corcovado
MARCOS DE PAULA/ESTADÃO CONTEÚDO
Mais um. O Movimento Rio de Paz protestou ontem contra o desperdício de dinheiro publico na Copa 2014. O ato foi em frente à estátua do Cristo Redentor, no morro do Corcovado

Rio de janeiro. Ao deixar a sede do Sindicato dos Bancários, na noite de segunda-feira, 28, depois de quase quatro horas de debate sobre a Copa do Mundo onde foi xingado, vaiado e ridicularizado por manifestantes contrários à realização do campeonato, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que teve oportunidade de sentir “o pulso de como está uma parte da sociedade”, mas ressalvou que se trata de uma minoria da população.

“Isso é um pouco a panela de pressão que explode”, afirmou. Principal interlocutor do governo federal com os movimentos sociais, ele foi escalado pela presidente Dilma Rousseff para percorrer o país em defesa da Copa a menos de dois meses do início do campeonato.

“É assim que se tem o pulso de como está uma parte da sociedade. Mas não vamos nos iludir, achar que isso representa maioria do povo não é real. É uma pequena vanguarda bem pequena hoje no país que tem esse tipo de posição”.

Carvalho reconheceu que há problemas levados a ele, como a resistência a remoções, que terão de ser discutidos pelo governo federal. Durante o debate, o ministro foi interrompido várias vezes, muito vaiado, especialmente em três momentos, quando foi também acusado de insensibilidade.

Parte do público também se revoltou quando Carvalho prometeu voltar em agosto “para a gente olhar a Copa que passou”. Já no fim do debate, o ministro foi novamente vaiado quando disse a uma moradora ameaçada de remoção: “Saia um pouco do seu pedaço, pense no país”.

O debate transcorreu sem incidentes na primeira hora. Depois, quando estivadores e militantes anti-Copa se desentenderam na entrada do salão, o clima ficou tenso. Um dos participantes chegou a colocar um rolo de papel higiênico diante do ministro, depois de protestar contra a violência da polícia do Rio e das ameaças de remoções. Carvalho ficou calado, mas, contrariado.

A ativista Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, gritou “palhaço” e “ministro da Suíça” durante uma das falas de Carvalho. O ministro tomou a palavra. “Nada vai ser resolvido no grito. Vamos ouvir os companheiros e quem sabe desconfiar que não somos os donos da verdade”.

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