Cela de Dirceu na Papuda tem TV e micro-ondas

Deputados visitam o presídio e divergem sobre privilégios

iG Minas Gerais |

Trabalho. José Dirceu ainda não foi autorizado a trabalhar porque teria privilégios na Papuda
DIDA SAMPAIO
Trabalho. José Dirceu ainda não foi autorizado a trabalhar porque teria privilégios na Papuda

Brasília. Deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara que visitaram, ontem, o complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, apresentaram avaliações divergentes em relação às “regalias” do ex-ministro José Dirceu, que cumpre pena por condenação no julgamento do mensalão.

A visita foi motivada pela aprovação, pela comissão, de requerimento apresentado pelo deputado Nilmário Miranda (PT-MG), a pedido da família de Dirceu, que pretendia que os parlamentares averiguassem se o ex-ministro tem privilégios – para o Ministério Público, tudo o que possa ferir a isonomia entre os presos é caracterizado como privilégio. Por decisão judicial, a tramitação do pedido de Dirceu para trabalhar fora da prisão foi suspensa devido à suspeita de uso de celular dentro da prisão.

A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) disse que Dirceu recebe tratamento diferenciado, em uma cela com televisão e micro-ondas, condição distinta, segundo ela, da de outros presos. “Conheci celas em várias unidades aqui (na penitenciária da Papuda) e as que a gente viu hoje lá em cima são celas horrorosas se comparadas à cela dele. A cela dele é iluminada, ampla, o tipo de material do beliche é diferente, tem televisão, tem micro-ondas. E não são todas as celas, é a única cela desse jeito”, declarou.

Para o deputado Nilmário Miranda, não há, no entanto, justificativa para que o ex-ministro permaneça sem trabalhar. “Não há nenhuma situação que o impeça de cumprir o trabalho externo. Não há nenhum privilégio que possa ser usado para dizer que ele tem alguma falta grave, que é o que nós tínhamos que investigar aqui”, disse Miranda.

Outros dois deputados da comissão também avaliaram que a cela ocupada por Dirceu não caracteriza privilégio. “Nós vimos uma cela modesta, uma cela mal-conservada, cheia de infiltrações, gotejando água no corredor, na porta da cela, é isso que a gente viu”, afirmou Luiza Erundina (PSB-SP).

“A gente veio verificar se havia regalias. A gente viu que não há regalias. Não há privilégio”, disse Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Condenação

Trabalho. Dirceu foi condenado a sete anos e 11 meses, em regime semiaberto, que permite ao preso trabalhar. Mas o presidente do STF, Joaquim Barbosa, ainda não autorizou o trabalho.

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