Estudos mostram falha no IMC para o controle da obesidade

Cientistas dizem que pessoas com sobrepeso podem ser mais saudáveis do que as de peso normal

iG Minas Gerais | Da redação |

Recomendação. Segundo personal trainer Eric Felix, ideal é praticar atividade física pelo menos duas vezes durante a semana
Paula Coura
Recomendação. Segundo personal trainer Eric Felix, ideal é praticar atividade física pelo menos duas vezes durante a semana

Estar com Índice de Massa Corpórea (IMC) normal não é sinônimo de ter saúde em dia. Pelo menos, essa é a indicação de estudos norte-americanos recentes, que mostram que algumas pessoas que têm sobrepeso são consideradas tão saudáveis do que aquelas que têm peso normal.

O condicionamento físico, por exemplo, influencia os efeitos do IMC. Em um editorial publicado no “Journal of the American Medical Association”, no ano passado, Steven B. Heymsfield e William T. Cefalu, do Centro de Pesquisa Biomédica Pennington, de Baton Rouge, na Louisiana, observaram que “a capacidade cardiorrespiratória” é um indicador relevante de mortalidade, seja qual for o nível de gordura.

“Pessoas normais, mas sedentárias, às vezes, possuem grau de condicionamento físico abaixo da população considerada ativa (praticante de atividade regular pelo menos duas vezes na semana). Essa falta de exercício físico faz com que a concentração de massa corporal magra reduza, fazendo com que a pessoa pareça visualmente mais magra, ocultando um possível percentual de gordura elevado”, explica o personal trainer Eric Felix.

Especialistas alertam que, antes de dar início a uma dieta radical porque o IMC indica um excesso de peso, é preciso considerar o que o índice realmente representa. “O IMC é uma medida grosseira que não consegue abordar adequadamente a situação de mais de metade das pessoas com excesso de gordura corporal”, observou Geoffrey Kabat, epidemiologista do Albert Einstein College of Medicine. Alguém com um IMC “normal” pode ser excessivamente gordo internamente e propenso a doenças relacionadas à obesidade.

Embora os especialistas continuem a debater se uma pessoa pode estar “bem-condicionada e ser gorda ao mesmo tempo”, a nutricionista Keri Gans, de Nova York, ex-porta-voz da Academia de Nutrição e Dietética, aponta que a prática de atividade física e uma dieta saudável tendem a compensar os riscos do excesso de peso. “Você não precisa ser magro para ter um bom condicionamento físico”, disse ela.

Seja qual for o peso da pessoa, especialistas dizem que condicionamento físico pode reduzir o risco de desenvolver doença cardíaca, doença pulmonar, diabetes ou pressão arterial elevada.

Outros fatores. Idade, gênero e etnia também influenciam a relação entre IMC, gordura corporal e risco para a saúde. Em média, as mulheres têm uma porcentagem de gordura corporal maior em relação ao peso total do que os homens, mas isso não significa necessariamente um maior risco para a saúde. Os afro-americanos, que tendem a ter ossos mais pesados e a pesar mais do que os brancos, enfrentam um risco menor para a saúde, mesmo com um IMC na faixa de sobrepeso. (Jane E. Brody/ New York Times)

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