Roberto Tibiriçá é o convidado do Retratos de Artista

iG Minas Gerais | Lucas Buzatti |


Maestro Roberto Tibiriçá defende diálogo entre erudito e popular
Paulo Lacerda divulgacao
Maestro Roberto Tibiriçá defende diálogo entre erudito e popular

“Eu não passo o dia todo ouvindo Beethoven, senão eu me suicido!”, brinca Roberto Tibiriçá, um dos mais renomados regentes da música erudita brasileira da atualidade. Conhecido por defender a renovação da música clássica por meio do intercâmbio com a MPB, o maestro paulistano é o convidado do projeto Retratos de Artista, Molduras do Pensamento, que acontece hoje, no Café CentoeQuatro.

Aos 60 anos, Roberto Tibiriçá coleciona passagens por grandes orquestras brasileiras – como as sinfônicas Brasileira (OSB), do Estado de São Paulo, de Minas Gerais e da Petrobras – e, desde 2003, ocupa a cadeira número 5 da Academia Brasileira de Música. “A Academia foi fundada em 1945, por Villa-Lobos, e vive exclusivamente dos direitos autorais de suas composições, que foram doados por ele. Pouca gente sabe, mas Villa-Lobos é o compositor brasileiro mais tocado no mundo, o que mais recolhe direitos autorais”, conta.

Apesar da vida imersa no universo erudito, Tibiriçá acredita que a renovação da música clássica passa diretamente pelo flerte com a música popular. “As grandes orquestras do mundo estão em crise. Você entra no teatro e só vê aquele tanto de cabelinhos brancos. Acredito que essa aproximação com a música popular é um dos grandes caminhos para a renovação do público”, diz ele.

A ideia de misturar música orquestral e popular motivou a criação do projeto Sinfônica Pop, que já contou com a participação de nomes como Gilberto Gil, Nana Caymmi, João Bosco, Daniela Mercury, Simone, Elba Ramalho, dentre outros. “Você pega artistas como a Zizi Possi, por exemplo, que tem uma formação erudita, que estudou regência. É um prazer imenso contar com pessoas como essa, dividir o palco com esses artistas”, comenta Tibiriçá, ressaltando a qualidade dos compositores da música popular brasileira. “Nós temos Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Tom Jobim. Temos Chico Buarque, Caetano Veloso, Egberto Gismonti. Quem vai dizer que não são clássicos? O único disco do Frank Sinatra totalmente dedicado a um compositor é aquele com Tom Jobim! E nós não podemos chamar a sua obra de clássica?”, indaga.

O maestro afirma que os concertos do Sinfônica Pop começam sempre com uma obra erudita, antes de o convidado especial entrar no palco. “É como dar um remédio para uma criança. Primeiro, o amargo. Depois, vem o docinho”, brinca. “Temos que conquistar a meninada, a música sinfônica tem que se abrir para o popular, e já está fazendo isso. Você vai no YouTube e vê a Sinfônica de Berlim, a mais respeitada do mundo, tocando ‘Tico Tico no Fubá’. E nós não vamos tocar?”, questiona.

O maestro pontua, entretanto, que existe “hora e lugar para tudo”. “É claro que tenho o maior respeito por meus colegas. Na semana que vem, por exemplo, toco com a Filarmônica de Minas. Um concerto formal, com Tchaikovsky e tudo o mais. Obviamente, não é um momento para a música popular. Devem-se entender esses limites”, explica.

Para Tibiriçá, a renovação da música erudita passa, também, pela formação de novos compositores e instrumentistas, vontade que motivou três concursos criados por ele – o Jovens Solistas Armando Prazeres, o Jovens Regentes Eleazar de Carvalho e o Jovens Compositores Cláudio Santoro.

Agenda

O quê. Projeto Retratos de Artista com Roberto Tibiriçá

Onde. Café 104 (praça da Estação, 104, centro)

Quando. Hoje, às 19h30

Quanto. Entrada franca

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