A volta do Francisco Nunes

Após cinco anos de inatividade, emblemático teatro é entregue à população reformado e com melhorias

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Verde. A fachada do teatro também foi restaurada e recebeu nova pintura: o público poderá conferir na abertura do FIT-BH, no dia 6
Verde. A fachada do teatro também foi restaurada e recebeu nova pintura: o público poderá conferir na abertura do FIT-BH, no dia 6

O final feliz de uma novela extensa e marcada por diversos percalços. Assim pode ser descrita a entrega do novo Teatro Francisco Nunes, realizada ontem pela Fundação Municipal de Cultura (FMC), a Prefeitura de Belo Horizonte e a Unimed. Inativo há cinco anos, o emblemático teatro, passou por obras de reforma, restauro e valorização que privilegiaram, principalmente, a estrutura do palco e do foyer. A reinauguração acontecerá no dia 6 de maio, com o espetáculo “Prazer”, da companhia Luna Lunera, na abertura do 12º Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte (FIT-BH).

“O Francisco Nunes marcou época nos 1950, e agora volta com todo o seu esplendor e com tudo o que há de mais moderno”, afirmou o presidente da FMC, Leônidas de Oliveira, presente na apresentação do teatro à imprensa, ao lado do prefeito Marcio Lacerda.

Batizado em homenagem ao clarinetista e maestro mineiro Francisco Nunes (1875-1934), o espaço foi inaugurado em 1950, como um teatro de emergência, atendendo ao anseio da classe teatral, que ficara sem espaço após o fechamento do Teatro Municipal de Belo Horizonte.

O projeto original continha falhas acústicas e de estrutura da plateia, que impossibilitavam uma boa audição ao público, o que motivou uma primeira reforma, em 1982. Vinte e sete anos depois, surgiu o laudo técnico que apontava a necessidade de interdição do local, devido à desintegração do forro e da estrutura de madeira do teto, causada por infestação de cupim.

“Em 2009, foi necessária uma inspeção detalhada para identificar os problemas que levaram à interdição do teatro. Fizemos o conserto do telhado, mas tivemos contratempos de negociações até chegar à decisão da empresa que faria a reforma”, explicou o prefeito Marcio Lacerda, lembrando que o Teatro Francisco Nunes já recebeu “grandes nomes como João Ceschiatti, João Etienne Filho e Jota Dangelo”, dentre outros artistas e grupos.

O imbróglio foi resolvido quando a Unimed assumiu o custeio da reforma – R$ 11 milhões por parte da empresa e R$ 2 milhões investidos pela Prefeitura. A condução das obras ficou a cargo da empresa Lazuli Engenharia, à época ainda sob a tutela do arquiteto e cenógrafo Raul Belém Machado, que veio a falecer em 2012.

Mesmo sem Belém Machado, a empresa deu sequência à reforma, que tratou de sistema de som a iluminação, passando por cabeamentos elétricos, banheiros, café, bilheteria, lanchonete e cozinha. A obra contemplou, ainda, fachadas, jardim e restauro dos mosaicos e dos barrados em pedra bruta da lateral do teatro.

O foyer também foi alterado, agora com pé direito duplo, criando uma única entrada central e ganhando espaço para exposições e vernissages, bem como a divisão entre os 543 assentos (com espaços especiais para obesos, cadeirantes e pessoas com deficiência), que melhorou a locomoção no interior do teatro.

“O teatro ganhou um tom mais intimista, mas mantém a relação entre público e palco que é característica do teatro italiano, com a plateia à frente e o palco ao fundo, dentro de uma caixa acústica”, explica a arquiteta responsável Mariluce Duque. “O layout ficou mais bem distribuído, ganhou-se espaço dentro do teatro e no foyer, que teve parte do mezanino demolido e ganhou um pé direito duplo”, completa a arquiteta.

Apesar de a reforma ter previsto toda a extensão do teatro, as grandes melhorias concentram-se na modernização do palco. “O Francisco Nunes agora possui todo um apoio cenotécnico. Antes, a movimentação do palco era totalmente manual, feita por um sistema chamado malagueta, de varas que subiam e desciam no ‘muque’, com a força humana. Esse sistema foi todo ampliado e motorizado”, explica Mariluce.

Para o presidente da FMC, Leônidas José de Oliveira, as modificações do palco abrem o leque de apresentações que o teatro pode receber daqui em diante. “Essa modernização amplia os recursos cênicos, possibilita que espetáculos maiores possam acontecer no Francisco Nunes”, pontua. “O foco de toda essa política são os artistas locais. Nós estamos devolvendo à população esse teatro tão querido, com todo o seu esplendor, a fim de que ele atenda à produção artística da cidade”, destaca o presidente da FMC.

Lêonidas afirmou ainda que a tônica da gestão do Francisco Nunes será para produções locais, reforçando sua vocação como teatro municipal. Para isso, contará com editais de ocupação e de fomento às artes cênicas e à música regulares, a começar pelo Festival Internacional FIT-BH.

Batismo

O nome do teatro é uma homenagem ao clarinetista e maestro mineiro Francisco Nunes (1875-1934), que criou a Sociedade de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte e dirigiu o Conservatório Mineiro de Música

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