Redação mineira fica em 2º lugar em Concurso Internacional de Cartas

O texto vencedor foi de uma estudante do Amapá, que irá representar o Brasil na última etapa; na fase nacional, aluna de 13 anos ficou em segundo lugar com carta para Beethoven

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

No Concurso Internacional de Redação de Cartas para Jovens, promovido pela União Postal Universal - entidade que controla os operadores postais em 192 países, com sede em Berna, na Suíça - , Minas Gerais ficou em segundo lugar na etapa nacional. O tema da 43ª edição foi inspirada em um dos Objetivos do Milênio, proposto pela Organização das Nações Unidas (Onu): “Educação Básica de Qualidade para Todos”.

Os Correios aderiram ao concurso com o objetivo de incentivar a educação, a leitura e a produção de textos. No Brasil, ele é dividido em três etapas, sendo a escolar, a estadual e a nacional. Participaram desta edição estudantes de até 15 anos de idade matriculados em escolas públicas e particulares previamente selecionados nas etapas nacionais.

Na fase estadual são premiadas as três melhores redações de cada Estado e na fase nacional é escolhida apenas uma carta, que irá representar o Brasil na fase internacional. A carta vencedora é de uma aluna de 14 anos matriculada no 1º ano do Ensino Médio na Escola Conexão Aquarela, no Amapá. Como prêmio, ela e a escola ganharam uma TV de Led. 

Querido Beethoven

Em segundo lugar ficou a redação de uma aluna de 13 anos matriculada no 8º ano do Colégio Logosófico, em Belo Horizonte. Sob o tema “Escreva uma carta para dizer de que modo a música influencia a vida”, ela escolheu endereçar o texto ao compositor Beethoven. A carta conta a história de uma menina de 15 anos que sofreu um acidente de carro com a família e se descobre no hospital, surda. Leia um trecho:

“O pior foi a música. Ninguém poderia traduzir a música para libras. Foi aí que pesquisei e descobri sua vida. Como você compunha sem ouvir? Descobri que você deitava no chão para sentir as vibrações. Foi isso que fiz adaptando para o mundo de hoje.

Pedi para minha irmã colocar para tocar meu pen drive de antes do acidente. Mesmo sem entender, ela fez.

Peguei a caixa de som, já ligada, e pressionei contra o ouvido. O tremor suave e ritmado dela me fez lembrar da época que eu ouvia. A música ecoou na minha mente e o silêncio desapareceu.

Fazia isso diariamente. São poucos os que sabem disso. Embora todos tenham notado a diferença no meu humor.

Desde que aprendi esse jeito de ouvir meus amigos me elogiam pela valentia.

Quero agradecer. Sua ideia me devolveu a música. A música me trouxe parte do que eu era antes, me deu esperanças, me transformou. Ela voltou preenchendo o vazio em que vivia.

Eu sei que não vai ler minha carta, mas quero registrar o tanto que sou grata a você. Agora estou indo ao Canadá fazer uma cirurgia que poderá devolver minha audição. Na verdade ela já esta dentro de mim, porque descobri que a musica é pura sensibilidade. Não são só os ouvidos que podem senti-la. O coração a entende melhor”. 

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