'Boas' bactérias podem ajudar no combate à obesidade, aponta estudo

Voluntários que consumiram suplementos para estimular crescimento de certos microorganismos perderam, após nove semanas, 5 kg; efeitos colaterais, no entanto, ainda estão sendo estudados

iG Minas Gerais | Da Redação |

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Na busca constante por soluções efetivas para o problema da obesidade, cientistas chineses estão estudando o impacto de certas bactérias sobre o peso da pessoa. A equipe disse que alterar os tipos encontradas nas vísceras pode trazer mais resultados do que simplesmente reduzir calorias. Testes com ratos em laboratório identificaram uma associação entre bactérias e obesidade, mas experimentos com humanos ainda estão em fase inicial.

Segundo estatísticas divulgadas pela Organização Mundial de Saúde, mais de 1,4 bilhão de adultos com idade a partir de 20 anos estavam acima do peso em 2008.

Em um estudo publicado na revista científica "Microbiology Ecology", cientistas em Xangai estudaram 93 pessoas obesas com Índice de Massa Corporal (IMC) médio de 32. O IMC se baseia no peso e altura de uma pessoa para determinar se ela está dentro dos padrões ideais de saúde. Um IMC de 32 kg/m2 corresponde ao que os especialistas classificam como obesidade grau 1. A categoria máxima, ou grau 3, inclui pessoas com IMC acima de 40.

Além de seguirem uma dieta saudável - rica em legumes, verduras, alcachofra e tofu - os participantes consumiram suplementos que estimulavam o crescimento de certos tipos de bactérias em seus intestinos e inibiam outros. De tempos em tempos, eles eram medidos e pesados, preenchiam questionários detalhando o que haviam comido nas últimas 24 horas e eram submetidos a exames físicos.

Os pesquisadores dizem que os índices de bactérias que produzem toxinas, como as enterobactérias, caíram, enquanto índices de bactérias tidas como benéficas, como as bifido bactérias, aumentaram O estudo tomou como base um experimento anterior, que revelou associações entre um tipo específico de bactéria - a B29 - e a obesidade.

Após nove semanas, os participantes tinham perdido em média 5 kg cada um. Um grupo menor de voluntários (45% deles) prosseguiu com a dieta. Ao fim de 23 semanas, tinham perdido em média 6 kg cada um. Um paciente com obesidade grau 3 que participou de um estudo anterior ao experimento descrito acima, perdeu 51 kg em seis meses.

Segundo o estudo, índices da proteína C reativa, associada a obstruções nas artérias e danos em vasos sanguíneos no coração, também foram reduzidos durante o experimento. No entanto, os pesquisadores chineses admitiram que não é possível saber com certeza se todos os efeitos observados foram resultado da manipulação das bactérias no intestino dos participantes.

Um dos pesquisadores envolvidos no projeto, Liping Zhao, da Shanghai Jiao Tong University, disse que índices mais altos, no intestino, de bactérias que produzem toxinas, como as enterobactérias, podem levar o organismo a desenvolver resistência à insulina, impedindo que a pessoa se sinta satisfeita após comer. Em vez de uma cumbuca de arroz, essa pessoa precisa de cinco, dez ou até 20 cumbucas, ele explicou. 

Zhao disse, ainda, que alterar o tipo de bactéria presente no intestino pode também ativar um gene que faz o corpo queimar gordura. "Está na hora de o público saber das evidências científicas que temos, que demonstram que bactérias têm um papel central na obesidade."  

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