O país do faz de conta

Maioria quer saber só de direitos

iG Minas Gerais | Kênio Pereira |

A falta de comprometimento das pessoas com o trabalho e a dignidade tem criado situações espantosas. Não se consegue contratar profissionais capazes de realizar o mínimo que se espera de quem obteve um diploma.   Temos visto empresários dos mais diversos setores sobrecarregados, sem condições de prestar um serviço de qualidade, pois não conseguem montar uma equipe. Tem sido um enorme desafio contratar mão de obra, pois, no momento da entrevista, o interessado se mostra disposto a tudo. Mas, passados alguns meses, nem mesmo o horário de trabalho ele cumpre; estudar e aprimorar o conhecimento fora do horário do trabalho, nem pensar! Dessa forma, prestar um serviço elementar passa a ser uma coisa inédita, diante de tantos erros repetitivos e primários.   Há alguns anos, ao procurarmos um médico, este examinava o paciente com cuidado e, após um diagnóstico, dizia: “Vou pedir um exame para confirmar se você tem ‘tal’ problema”. Por ser competente, sabia a probabilidade de determinada doença. Atualmente, o médico mal sabe indagar sobre os problemas do paciente, pede dezenas de exames para tentar descobrir a doença, sendo comum nem descobrir, pois não consegue interpretar os exames.   O mesmo problema tem ocorrido com os contadores, que acabam “quebrando” a empresa ao mandar o cliente pagar tudo que vem do fisco, pois não sabem que muitos tributos são questionáveis. Na advocacia, vemos profissionais assumindo casos sem ler os documentos e as leis pertinentes ao fato, pois agem com base no senso comum. Ignoram vários aspectos que podem inviabilizar o direito do cliente e que há dezenas de especialidades.   Por isso, alguns cobram valores irrisórios de honorários, pois desconhecem a complexidade do problema e que sua solução poderá demorar anos, além de exigir diversos procedimentos que consumirão centenas de horas de trabalho, a ponto de impedir que ele tenha outros clientes. O resultado é o abandono do trabalho no meio do caminho ou a determinação de fazer acordo de qualquer forma, diante do prejuízo pela não cobrança dos honorários adequados ao trabalho que deveria ser executado.   Assim vai o Brasil, o país do faz de conta, onde os governantes fingem que governam em favor do interesse público e não do seu interesse em obter vantagens pessoais e se perpetuar no poder. Onde empregados acham que é favor prestar contas ao empregador e se sentem ofendidos ao serem cobrados, pois só querem saber de seus direitos e receber o salário, mesmo sem executar as tarefas. Onde a polícia só aparece após o bandido ter ido embora há horas, mas que, para multar e prender motoristas, é eficiente.   Assim entendemos por que as pesquisas constatam que só 10% dos alunos aprendem matemática e 29%, língua portuguesa, pois os professores fingem que ensinam para aqueles que só querem saber de receber o diploma, sendo que muitos visam passar nos concursos para se aposentar, após enrolar bastante. Pedir desculpa e justificar não é trabalhar. 

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